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Evangélicos votam à direita mesmo sem indicação de candidato na igreja

Pesquisa aponta que alinhamento político do grupo ocorre por socialização e convivência horizontal nas igrejas, e não por ordens diretas de lideranças religiosas.

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Evangélicos votam à direita mesmo sem indicação de candidato na igreja

Como os evangélicos, um grupo que não possui um comando centralizado ou uma figura equivalente a um papa e que rejeita explicitamente a discussão política dentro dos templos, conseguem convergir de maneira tão clara nas urnas? Dados levantados pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest trazem novas pistas sobre esse fenômeno, destacando a alta frequência aos cultos e o papel da exposição a líderes religiosos nas plataformas digitais.

Se a tese de que o pastor comanda e o fiel obedece estivesse correta, os números obtidos na pesquisa seriam bem diferentes. Entre os pentecostais, 81% afirmam ser contrários a debates políticos no espaço da igreja, 87% rejeitam a realização de campanha eleitoral no local, e apenas 23% relatam que sua liderança sugeriu o voto em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022.

Apesar da ausência de ordens diretas de figuras centrais, o alinhamento político com a direita permanece consistente. Membros de igrejas pentecostais demonstram maior identificação com o PL do que com o PT, enquanto a rejeição ao partido petista atinge 39% entre protestantes históricos, como batistas, metodistas e presbiterianos. Pesquisas recentes do Datafolha e da Quaest também mostram que o senador Flávio Bolsonaro lidera as intenções de voto nesse segmento com ampla vantagem sobre Lula em um eventual segundo turno.

O conservadorismo moral característico do grupo ajuda a dimensionar essa preferência, embora não explique totalmente a sua intensidade. Enquanto 64% dos evangélicos se definem como conservadores, o índice entre os católicos chega a 54%. No entanto, os católicos, que também compartilham de uma visão majoritariamente conservadora, conferiram maioria de votos a Lula em 2022, evidenciando que o conservadorismo isoladamente não dita o comportamento eleitoral.

Um dos achados mais surpreendentes do levantamento é a inexistência de uma liderança evangélica de alcance nacional verdadeiramente hegemônica. Apenas 18% da população brasileira segue artistas, influenciadores ou figuras religiosas nas redes sociais, e entre os pentecostais que seguem perfis do tipo, 78% citam nomes secundários. Isso contrasta com o senso comum de que poucos pastores influentes funcionariam como grandes cabos eleitorais capazes de mover milhões de votos em bloco.

Por fim, os especialistas apontam que o voto evangélico se consolida muito mais por meio da convivência e da socialização horizontal do que por hierarquia e subordinação. A frequência intensa aos templos — com 46% dos evangélicos frequentando cultos duas vezes por semana ou mais — cria um ambiente denso onde opiniões e visões políticas circulam e se fortalecem organicamente entre os fiéis.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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