A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já iniciou as discussões estratégicas voltadas para um eventual segundo turno na disputa presidencial. De acordo com conselheiros do atual mandatário, a avaliação interna aponta como inevitável que a eleição seja decidida em uma nova etapa, exigindo que Lula apresente aos eleitores propostas que vão além da mera comparação entre os concorrentes.
Entre os pontos centrais levantados pela equipe está a política fiscal. Um interlocutor do presidente destacou que Lula precisará demonstrar um maior rigor fiscal caso conquiste um quarto mandato presidencial. Embora aliados acreditem ser possível justificar as dificuldades nas contas públicas do terceiro mandato atribuindo-as à herança fiscal do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, a visão é de que o cenário exigirá sinais claros de controle sobre o crescimento da dívida pública.
O tema ganha relevância diante dos números econômicos recentes e de declarações anteriores do próprio presidente. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que a dívida bruta do setor público atingiu 82% do Produto Interno Bruto em junho. Em entrevista concedida à TV Globo em agosto, o chefe do Executivo havia afirmado que o endividamento não era motivo de preocupação, apostando no crescimento econômico para reduzir seu peso.
Além da economia, os conselheiros avaliam que Lula precisará detalhar novidades para o eleitorado em um eventual novo mandato. A avaliação interna aponta a necessidade de superar o desgaste de um eleitorado supostamente cansado do estilo do político petista, oferecendo perspectivas inéditas para o país.
No plano regional, a estratégia traçada por aliados estabelece como prioridade absoluta melhorar o desempenho eleitoral em Minas Gerais. O objetivo é tentar compensar a vantagem que o candidato Flávio Bolsonaro apresenta nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Dados de pesquisas recentes mostram oscilações positivas para o petista em solo mineiro, onde a aprovação governamental apresentou melhora entre agosto e setembro. Apesar disso, integrantes da campanha reconhecem que o cenário de segundo turno apresenta alta complexidade, especialmente devido à perspectiva de que o adversário possa atrair mais apoios formais de candidatos derrotados no primeiro turno, uma vez que a esquerda e o centro-esquerda não contam com nomes de grande capital político para transferência de votos nesta eleição.
Fonte: g1.globo.com
