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Fundador da revista piauí questiona apoio empresarial a Flávio Bolsonaro e aponta riscos à democracia

Em artigo recente, João Moreira Salles sustenta que parte da elite econômica brasileira relativiza riscos institucionais e democráticos para se aproximar da candidatura de Flávio Bolsonaro.

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Fundador da revista piauí questiona apoio empresarial a Flávio Bolsonaro e aponta riscos à democracia

Em artigo publicado na quinta-feira (1º) na revista piauí, seu fundador, João Moreira Salles, sustenta que parte da elite econômica brasileira está disposta a relativizar os riscos à democracia e a valores institucionais para se aproximar da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A movimentação desse setor seria movida sobretudo por preocupações com a situação fiscal do país e pela perspectiva de uma agenda econômica mais alinhada aos seus próprios interesses.

O argumento central do texto é que o problema não reside na falta de informação desses empresários, banqueiros e investidores. Segundo Salles, muitos deles conhecem o histórico político de Flávio Bolsonaro e do grupo familiar ao qual o candidato pertence e, ainda assim, decidiram estabelecer relações públicas com o senador, ignorando alertas históricos sobre o autoritarismo.

Para Salles, essa elite econômica não deseja necessariamente o fim do frágil experimento democrático brasileiro, mas tomou a decisão consciente de desviar os olhos das ameaças institucionais. O autor cita nominalmente diversos executivos e empresários do mercado financeiro, do varejo, da indústria e de outros setores que têm buscado aproximação com o parlamentar.

O fundador da revista lembra que Jair Bolsonaro, durante o voto pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, homenageou um coronel reconhecido judicialmente como responsável por torturas durante o regime militar. Ele destaca que Flávio Bolsonaro nunca repudiou essa homenagem e, ao contrário, defendeu abertamente a atitude do pai, tornando o episódio relevante para avaliar o atual projeto presidencial.

Na interpretação de Salles, encontros privados de integrantes do setor empresarial e financeiro conferem ao candidato uma perigosa forma de legitimidade política. O texto reconhece a gravidade da situação fiscal brasileira e as críticas do mercado aos gastos públicos, mas questiona se esses problemas justificariam o alinhamento com o projeto do PL.

Por fim, o artigo pontua que crises econômicas são, em princípio, reversíveis, enquanto os danos institucionais provocados por rupturas democráticas tendem a deixar marcas profundas e duradouras. Salles conclui que as alternativas postas para o pleito de 2026 jamais poderiam ser consideradas equivalentes no campo dos valores republicanos.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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