A disputa pelos votos de bolsonaristas marcou os 45 dias de campanha pelo Governo do Rio de Janeiro nas eleições de 2026. O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) buscou evitar uma associação umbilical com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu aliado, para preservar o apoio de uma fatia importante dos eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL), que representam a maioria no estado.
Em contrapartida, o presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas (PL), explorou intensamente a imagem do correligionário e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), posicionando-se como o verdadeiro representante da direita no pleito estadual. As pesquisas do Datafolha apontaram que Ruas avançou de forma constante justamente entre os eleitores de Flávio, embora Paes tenha conseguido reter o suficiente para manter a liderança nos levantamentos.
Enquanto Paes cumpriu agenda com prefeitos na Baixada Fluminense para dialogar com bases bolsonaristas, Ruas apostou em carreatas ao lado de Flávio Bolsonaro na zona oeste da capital. A estratégia de Paes remeteu à sua campanha vitoriosa para a prefeitura em 2024 contra Alexandre Ramagem, buscando isolar a eleição estadual de embates da política nacional.
Durante os debates, Paes tentou colar a imagem de Ruas à do ex-governador Cláudio Castro (PL) e do ex-deputado Rodrigo Bacellar. Por sua vez, Ruas criticou o adversário por tentar ocultar sua aliança com Lula, ao passo que tratou sua proximidade com a cúpula estadual anterior como uma questão estritamente profissional ligada à sua gestão como secretário das Cidades.
A polarização entre os principais candidatos também conviveu com a resiliência na intenção de votos do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), que se manteve na faixa dos 9% mesmo com o registro sob contestação no TRE. O TSE posteriormente determinou a anulação de seus votos, o que pode alterar o equilíbrio na reta final do pleito.
Com o cenário consolidado no primeiroturno, a corrida eleitoral fluminense evidenciou o peso da polarização nacional e o desafio dos candidatos em negociar com o eleitorado conservador para garantir a vantagem no Palácio Guanabara.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
