Ex-capitão da Rota e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Guilherme Derrite foi eleito senador por São Paulo com 30,69% dos votos. A vitória coroa uma trajetória de três anos à frente da Secretaria da Segurança Pública do estado, período marcado por forte controvérsia e por um aumento superior a 80% nas mortes decorrentes de intervenção policial, sob a égide de uma política de linha dura contra o crime.
A outra vaga ao Senado coube a André do Prado, enquanto Marcos Pontes completa a bancada paulista na Casa legislativa. Esta não é a primeira vez que Derrite ocupa espaço no Congresso Nacional. Em 2018, ele foi eleito deputado federal por São Paulo, sendo reeleito em 2022. O capitão da reserva consolidou-se como uma das principais lideranças da chamada bancada da bala, focada em pautas de endurecimento penal.
Durante o governo de Tarcísio de Freitas, Derrite licenciou-se da Câmara dos Deputados em momentos estratégicos. Em março de 2024, reassumiu o mandato federal temporariamente para relatar o projeto que acabou com as saídas temporárias de presos do regime semiaberto. Mais tarde, em novembro de 2025, deixou definitivamente o governo paulista para atuar como relator do projeto de lei Antifacção, projeto este que impulsionou sua projeção nacional e culminou na sanção da Lei 15.358/2026.
A gestão de Derrite na pasta da Segurança Pública, no entanto, ficou fortemente marcada pelo crescimento expressivo da letalidade policial. Dados do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública (Gaesp) do Ministério Público de São Paulo revelam que o número de pessoas mortas por policiais saltou de 477 em 2022 para 877 em 2025, registrando uma alta de 83% e alcançando patamares que não eram vistos desde 2017.
O avanço nos índices de mortalidade ocorreu em meio a operações de forte impacto, como a Operação Escudo em 2023 e a Operação Verão em 2024, realizadas na Baixada Santista. Juntas, as ações resultaram em 84 mortes e atraíram severas críticas de organizações de direitos humanos e da Defensoria Pública, que apontaram indícios de abusos. Em contrapartida, o governo estadual defendeu a legalidade e a necessidade das operações contra o crime organizado.
Nascido em Sorocaba, Derrite iniciou sua carreira militar aos 18 anos na Academia do Barro Branco, chegando à tropa de elite da Rota entre 2010 e 2013. Sua trajetória ganhou contornos políticos marcantes após episódios em sua carreira na PM e passagens pelo Corpo de Bombeiros. Agora, com a eleição para o Senado, o parlamentar leva sua agenda de endurecimento penal para o cenário político federal.
Fonte: g1.globo.com
