Após o susto provocado pelo avanço expressivo da direita no primeiro turno das eleições, a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que a campanha para o segundo turno precisará mudar muito para tentar reverter o resultado, considerado internamente como péssimo.
A sensação predominante entre assessores presidenciais na noite de domingo foi a de que a campanha petista acabou sendo atropelada por uma onda bolsonarista que estava totalmente fora do radar estratégico previsto para esta reta final.
Um dos líderes da campanha presidencial avaliou que o cenário representou uma verdadeira avalanche da direita, pegando o grupo de surpresa e exigindo uma total reformulação de planos para conseguir vencer o bolsonarismo na etapa decisiva.
O acampamento petista ficou atônito não apenas com o forte avanço de Flávio Bolsonaro, mas também com os resultados expressivos da direita na disputa pelo Senado, além de constatar que Lula encolheu na região Sudeste e perdeu votos inclusive no Nordeste.
Para contornar o revés, a ordem estabelecida é promover uma mudança profunda na estratégia, com uma reunião marcada para esta segunda-feira (5) entre Lula e sua equipe mais próxima para discutir os próximos passos.
Entre os principais focos da nova fase estará o esforço para convencer os eleitores que optaram pela abstenção — cujo índice bateu recorde no primeiro turno, superando 33 milhões de pessoas — a comparecerem às urnas no segundo turno.
Outra alteração fundamental planejada pela coordenação envolve o discurso político: a campanha pretende falar mais sobre as propostas para um eventual quarto mandato do que insistir apenas na defesa do legado de gestões anteriores.
A avaliação interna é de que o discurso focado em martelar os feitos dos governos anteriores acabou não sensibilizando o eleitorado, em especial a parcela moderada do eleitorado situada no centro político.
Analistas da própria campanha apontam que a ausência de uma articulação mais sólida com a Frente Ampla que garantiu a vitória em 2022 contribuiu para o resultado adverso, uma vez que o governo acabou sendo percebido de forma mais restrita pela base de centro.
Diante desse cenário de cobrança nas urnas, o presidente Lula buscará ativamente novas alianças e apoios no campo de centro para tentar reconquistar a confiança dos eleitores que deram o troco no primeiro turno.
Fonte: g1.globo.com
