Últimas notícias
DESTAQUES

Por que o petróleo continua na casa dos US$ 100?

Mesmo com a retomada parcial dos fluxos no Oriente Médio e a liberação de estoques emergenciais, o petróleo permanece acima de US$ 100 devido a fatores como o temor de novas escaladas no conflito, custos elevados de transporte e estoques mundiais reduzidos.

Compartilhe: WhatsApp Facebook X
Por que o petróleo continua na casa dos US$ 100?

A cotação do petróleo bruto permanece firmemente patamarizada na faixa dos US$ 100, gerando forte impacto na economia global, alimentando pressões inflacionárias e onerando tanto o setor produtivo quanto os consumidores finais. Embora o volume extraído e escoado do Oriente Médio tenha se aproximado dos patamares anteriores aos ataques dos Estados Unidos ao Irã, a commodity continua cerca de 40% mais cara do que no início das hostilidades.

Nem mesmo a decisão recente do G7 e de seus parceiros de disponibilizar até 100 milhões de barris de estoques emergenciais de petróleo e diesel foi suficiente para arrefecer os preços. O mercado internacional segue pressionado por uma conjunção complexa de fatores estruturais e geopolíticos que mantêm os custos elevados e o sistema de abastecimento em situação de vulnerabilidade.

O chamado ‘fator medo’ continua ditando o ritmo dos negócios nos mercados internacionais. Os operadores temem que o conflito volte a se intensificar abruptamente, especialmente diante do envio de tropas adicionais e de um porta-aviões pelos Estados Unidos ao Golfo Pérsico. Além disso, o controle do Estreito de Hormuz e a ameaça de bloqueios em rotas estratégicas por grupos aliados ao Irã mantêm a incerteza em patamares alarmantes.

Outro elemento crítico reside na forte retração dos estoques globais de petróleo, atualmente no menor nível registrado nos últimos cinco anos. A contínua guerra da Rússia contra a Ucrânia também bloqueou as exportações de diversas refinarias essenciais, obrigando unidades de outras regiões a arcarem com custos elevados para assegurar o suprimento de matéria-prima e evitar paralisações.

Os custos logísticos para o escoamento da produção também dispararam de maneira expressiva. Com o tráfego normal comprometido nos principais pontos de estrangulamento marítimo, o frete de petroleiros atingiu valores recordes, encarecendo de forma drástica a entrega dos barris aos grandes centros consumidores e adicionando um prêmio de risco considerável ao preço final.

Por fim, a escassez de combustíveis refinados como o diesel e a utilização do petróleo como instrumento de proteção contra a inflação por parte de investidores completam o cenário de instabilidade. Analistas apontam que a normalização do volume embarcado não equivale à recuperação imediata de todo o sistema logístico e de refino global, justificando a permanência dos preços em patamares historicamente elevados.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Escrito por

admin