As eleições de 2026 marcaram um momento histórico para a representatividade no país, levando 35 candidatos LGBT+ a cargos no Legislativo. De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Plena Cidadania, este é o maior número já registrado na história política brasileira para esse grupo.
Ao todo, 519 candidatos LGBT+ disputaram as eleições neste ano, somando mais de 10,7 milhões de votos. O volume de candidaturas também representou um salto expressivo em comparação ao pleito anterior: em 2022, foram 319 registros, o que configura um crescimento de 59% em quatro anos. Além disso, o total de votos recebidos por esses candidatos mais que triplicou.
Na disputa anterior, em 2022, 18 candidatos LGBT+ haviam sido eleitos. Em 2026, os 35 vitoriosos ocuparão cadeiras no Senado, na Câmara dos Deputados, nas assembleias legislativas estaduais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Entre os destaques, Erika Hilton (PSOL-SP) fez história ao se tornar a mulher mais votada de todos os tempos em uma eleição para a Câmara dos Deputados, alcançando mais de 1,5 milhão de votos.
O perfil dos eleitos demonstra forte protagonismo de mulheres e pessoas negras. Dos 35 parlamentares LGBT+ escolhidos pelas urnas, 27 são mulheres e 22 são pessoas negras. No que tange ao espectro político, todas as candidaturas eleitas pertencem a partidos identificados com a esquerda. Do total de concorrentes, a grande maioria também se concentrou nesse campo ideológico.
Apesar do recorde, o levantamento aponta que a comunidade permanece subrepresentada no cenário político. Embora representem 9% da população brasileira, as vagas ocupadas por pessoas LGBT+ no Legislativo somam apenas 2,15%. Geograficamente, a concentração das candidaturas eleitas permanece na região Sudeste, que emplacou 20 dos 35 nomes vitoriosos.
Para a legislatura que se inicia em 2027, as expectativas da bancada envolvem o avanço de pautas voltadas à proteção e à ampliação de direitos, à empregabilidade da população LGBT+ e ao combate à violência política. Dados indicam que 94% das candidaturas LGBT+ relataram episódios de violência política nesta eleição, com oito dos eleitos afirmando já terem recebido ameaças de morte.
Fonte: g1.globo.com
