As placas de publicidade ao redor dos gramados que sediam nove partidas da 29ª rodada do Campeonato Brasileiro passaram a exibir mensagens de repúdio à medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A determinação governamental impõe proibições severas à exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa em todo o território nacional.
A série de confrontos válidos pela rodada ocorre entre esta quarta e quinta-feira. A iniciativa do protesto é liderada pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que aproveita a visibilidade das partidas para lançar um manifesto oficial estruturado sob o lema “Proibir não é proteger”, chamando a atenção para os impactos econômicos e regulatórios da medida.
Além da frase principal, os painéis eletrônicos ao longo dos gramados exibem outras indagações e reflexões direcionadas aos torcedores e autoridades, como “Não se muda a regra no meio do jogo”, “proibir quem segue as regras favorece quem?”, “não é só o futebol que perde”, “quem lucra com as bets ilegais?” e “a demanda não acaba, apenas muda de endereço”.
A medida provisória causou mudanças drásticas no cenário do futebol brasileiro, visto que diversos clubes mantinham contratos robustos de patrocínio máster e secundário com plataformas de apostas. As restrições entraram em vigor de forma imediata, fazendo com que as empresas suspendessem suas operações regulares no mercado nacional.
Em resposta à urgência da situação e na tentativa de preservar parcerias financeiras importantes, equipes de futebol vêm adotando alternativas temporárias. Clubes que tinham a Superbet como principal patrocinadora, a exemplo de São Paulo e Fluminense, passaram a estampar nos uniformes e materiais promocionais o nome da Superscore, uma plataforma de estatísticas associada à mesma casa de apostas.
Paralelamente à exibição das mensagens nos estádios, a campanha do IBJR inclui o lançamento de um portal digital com o propósito de esclarecer as garantias que o ambiente regulado proporciona aos apostadores. Carlos Lima, presidente da entidade, enfatizou que a restrição não extingue o apetite público pelo jogo, mas desvia o fluxo para o mercado informal, desprovido de salvaguardas.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
