
A participação de crianças e adolescentes em afazeres domésticos e no cuidado de pessoas atingiu 42,1% da população nessa faixa etária no Brasil em 2025. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com base na PNAD Contínua. No total, 15,9 milhões de brasileiros de 5 a 17 anos realizavam pelo menos uma dessas atividades sem remuneração no próprio domicílio ou para parentes.
O levantamento indica que a proporção é maior entre o público feminino. Enquanto 47,9% das meninas de 5 a 17 anos exerciam essas funções, o índice entre os meninos da mesma idade ficou em 36,6%. A diferença registrada foi de 11,3 pontos percentuais.
Aumento com a idade e carga horária
As responsabilidades na rotina doméstica crescem conforme os jovens envelhecem. Entre 5 e 13 anos, 32,7% participavam de afazeres ou cuidados, taxa que saltava para 60,7% entre adolescentes de 14 e 15 anos e alcançava 64,6% na faixa de 16 a 17 anos.
Em relação ao tempo dedicado, 86,5% dos envolvidos destinavam até 14 horas semanais a essas tarefas. Outros 8,4% cumpriam de 15 a 24 horas por semana. Entre os jovens de 16 e 17 anos, 13,3% dedicavam de 15 a 24 horas, e 9,2% destinavam 25 horas ou mais.
Acúmulo de atividades e metodologia
A pesquisa identificou que o exercício de atividade econômica não isenta os jovens das obrigações do lar. Entre os que realizavam atividades econômicas, 65,1% também executavam tarefas domésticas ou de cuidado. No grupo específico em situação de trabalho infantil, o percentual chegava a 67,9%.
O IBGE esclarece que tais funções não configuram automaticamente trabalho infantil, pois a classificação depende de critérios como idade, intensidade e impactos no desenvolvimento. O instituto também informou que houve reformulação nas perguntas em 2025, o que impede comparações diretas com levantamentos de anos anteriores.
