
O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno da eleição presidencial por Luiz Inácio Lula da Silva, divulgou uma carta nesta quarta-feira (28) na qual agradece aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo apoio recebido para sair do Brasil. Flávio chegou a Miami pela manhã, acompanhado da mulher e das duas filhas, após cruzar a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu, na noite anterior, e embarcar em um avião privado em direção ao Equador.
Críticas ao TSE e menção a inquéritos
No documento distribuído por sua assessoria, o candidato derrotado afirma, sem apresentar provas, que o pleito foi fraudado e critica a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin de estender a votação até as 19h. A medida atendeu a um pedido das campanhas do PL e do PT, e a extensão contabilizou 34.393 votos, em um universo de cerca de 158,7 milhões de eleitores aptos. As alegações de fraude contrariam a apuração oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o reconhecimento da Organização dos Estados Americanos (OEA) e o posicionamento do próprio PL, que reconheceu a vitória de Lula.
Flávio também criticou a ordem expedida pelo ministro Alexandre de Moraes para apreensão de seus passaportes e proibição de deixar o país, medida solicitada pela Polícia Federal devido a riscos de fuga em meio a investigações sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O parlamentar é investigado em dois inquéritos no STF: um relacionado a transações com plataformas de bets e outro sobre o financiamento do filme Dark Horse. Em trecho da carta, ele afirmou que liderará a oposição a partir dos Estados Unidos para assumir riscos que parlamentares do PL no Brasil não podem correr.
Repercussão internacional e institucional
A concessão de visto ao senador foi criticada pelo Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, ligado aos democratas, que questionou a política migratória em relação a figuras da família Bolsonaro em comparação a refugiados de conflitos. No Brasil, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) emitiu nota alertando que a reprodução de declarações sem contextualização pode gerar desinformação, lembrando que negociações com grupos estrangeiros para desestabilização nacional podem configurar crime.
