
Um projeto arquitetônico elaborado no início dos anos 1980 para ser a sede do governo de Mato Grosso do Sul foi recentemente representado em uma maquete confeccionada na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). A miniatura faz parte de uma pesquisa coordenada pelo professor doutor Júlio Bottega e foi desenvolvida pelos universitários Apollo de Arruda e Bianca Caldas para a disciplina Construir e Habitar IV.
O projeto original foi o vencedor de um concurso público realizado em 1982, durante a gestão do governador Pedro Pedrossian. A proposta foi assinada pelos arquitetos Valter Cortez — atual presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul —, Fayez José Rizk e Lauro Veloso Malaquias. Na época, a equipe levou cerca de seis meses para concluir os desenhos feitos à mão com canetas bico de pena.
Estrutura e detalhes do projeto original
Conforme o memorial descritivo publicado na revista Projeto em 1982, o edifício previa dois blocos retangulares sobrepostos em forma de cruz. O volume inferior contaria com dois pavimentos para atividades administrativas, enquanto o terceiro pavimento abrigaria a Governadoria, o gabinete do governador e áreas de recepção. O projeto também contemplava concreto aparente, grandes vãos, áreas abertas no térreo, espelho d’água e um acesso subterrâneo exclusivo para o chefe do Executivo.
A construção seria o décimo edifício do Parque dos Poderes, em uma área na extremidade oposta ao Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo – Palácio da Cultura. No entanto, embora o projeto tenha sido contratado e pago, a obra nunca foi executada. Segundo Valter Cortez, o governo estadual atendeu à necessidade imediata instalando a Governadoria em um prédio inicialmente destinado a uma secretaria, deixando a sede própria para segundo plano.
Pesquisa histórica sobre o conjunto arquitetônico
A história da edificação não construída é investigada por um grupo liderado por Júlio Bottega, coordenador do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFMS. A pesquisa ocorre em parceria com o Iphan e outros pesquisadores para documentar o traçado urbano e os edifícios do Parque dos Poderes, subsidiando discussões sobre o reconhecimento da área como patrimônio nacional.
Bottega aponta que, dos dez prédios previstos inicialmente no projeto do complexo administrativo, nove foram erguidos, tornando a Governadoria a única estrutura que ficou apenas no papel. O investigador ressalta que ainda não há comprovação documental definitiva sobre os motivos que impediram a construção do palácio.
