
Um Chevrolet Vectra preto apreendido nesta semana pela Polícia Federal durante a Operação Ifrit chamou a atenção pela blindagem de nível IV, grau máximo permitido no Brasil e restrito a veículos institucionais ou de transporte de valores. O automóvel está registrado em nome da empresa Adel Hassan Haidar ME, situada em Ponta Porã, e estava em um endereço de busca em Campo Grande.
Investigação e histórico do proprietário
O dono do veículo, Adel Hassan Haidar, de 60 anos, conhecido como Adule, teve a prisão decretada no âmbito da ofensiva policial contra o Clã Haidar, suspeito de tráfico internacional de armas e drogas. Segundo a investigação, a estrutura familiar movimentou meio bilhão de reais em negócios ilegais no período de dois anos.
Conforme apuração policial, Adel passou a utilizar o sedã blindado após sobreviver a um atentado no qual mais de cem tiros foram disparados contra ele, ocasião em que teria sido atingido por quatro disparos. Além da proteção balística restrita, o automóvel contava com uma sirene, equipamento autorizado apenas para veículos de emergência e segurança pública.
Atuação do grupo e restrições legais
A Operação Ifrit investiga uma organização criminosa apontada como ultraviolenta, que contava com divisão de tarefas, operadores financeiros, arm pesados como fuzis e metralhadoras calibre .50, além de bunkers. A defesa de Adel Hassan Haidar não foi localizada pela reportagem.
De acordo com as normas do Exército Brasileiro, a blindagem nível IV não é autorizada para automóveis civis, que têm o nível III-A como limite regular. A posse de acessórios de uso restrito e a instalação irregular de sirenes em veículos particulares constituem infrações previstas na legislação nacional.
