A vontade de extrair um cravo utilizando os dedos, cotonetes ou instrumentos metálicos específicos é uma reação compreensível. Pesquisas indicam que a remoção de imperfeições cutâneas pode liberar dopamina, substância química ligada ao bem-estar, e que assistir a vídeos sobre o tema ativa os centros de recompensa do cérebro.
Apesar disso, especialistas em dermatologia alertam que o procedimento não deve ser feito em casa, pois há riscos reais de causar danos à pele. A médica Alisen Huang, da NYC Health + Hospitals/Gotham Health, destaca que, embora a tentação seja grande, a recomendação profissional é estritamente contrária a essa prática caseira.
Os cravos surgem quando o poro é obstruído por oleosidade, células mortas e resíduos, escurecendo ao entrar em contato com o ar. Fatores como a hipersecreção sebácea, oscilações hormonais e o uso excessivo de cosméticos com óleos pesados, a exemplo do óleo de coco e manteiga de karité, favorecem o aparecimento dessas lesões em regiões como rosto, pescoço, peito e costas.
Embora espremer seja o método mais rápido de remoção, fazê-lo sem supervisão pode provocar rupturas microscópicas, infecções e cicatrizes duradouras. Caso o indivíduo decida realizar a extração por conta própria, profissionais recomendam o uso de um extrator de comedões devidamente higienizado, evitando o uso direto dos dedos após rigorosa assepsia das mãos e da ferramenta.
As tradicionais fitas adesivas para poros também não são consideradas eficazes pelos especialistas, uma vez que costumam remover apenas a porção superficial do cravo e podem irritar o tecido cutâneo. Como a extração manual oferece apenas um alívio temporário e o problema tende a retornar, a prevenção por meio do controle da oleosidade é apontada como a estratégia mais duradoura.
Para evitar novos surgimentos, dermatologistas indicam o uso regular de produtos de limpeza com ácido salicílico e retinoides tópicos, que aceleram a renovação celular. Caso os cravos sejam persistentes e incômodos, a consulta com um especialista permite avaliar tratamentos avançados, como terapias a laser e peelings químicos, garantindo uma rotina de cuidados segura e personalizada.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
