O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou um processo para retirar as proteções concedidas aos lobos sob a legislação de espécies ameaçadas. A medida tem gerado forte oposição por parte de grupos conservacionistas, que alertam para o risco de colocar novamente em perigo a população desses predadores, cuja recuperação levou décadas após quase chegarem à extinção total.
Em uma ordem executiva assinada recentemente, a Casa Branca determinou um prazo de 90 dias para avaliar se tanto o lobo-cinzento quanto o lobo-mexicano atingiram os critérios de recuperação necessários para rebaixar ou remover seus respectivos status de proteção federal. O objetivo declarado da diretriz é auxiliar pecuaristas norte-americanos a mitigarem perdas de gado causadas por ataques desses animais.
Caso os critérios sejam considerados cumpridos, o governo federal planeja iniciar formalmente o processo de exclusão das espécies da lista de conservação. Além disso, a administração pretende dialogar com autoridades estaduais para incentivá-las a adotar legislações locais mais flexíveis, facilitando o abate legal de lobos em diferentes regiões do país.
Historicamente, estima-se que cerca de 250 mil lobos habitavam de costa a costa o território norte-americano, antes de campanhas sistemáticas de extermínio promovidas por colonos europeus ao longo dos séculos passados. Dados recentes de organizações especializadas apontam que o território continental conta hoje com aproximadamente 7,6 mil lobos-cinzentos, enquanto a população de lobos-mexicanos foi estimada em cerca de 317 exemplares no final de 2025.
Entidades de proteção ambiental criticaram severamente a iniciativa. Representantes do Sierra Club argumentam que a medida serve como uma manobra política para apaziguar o setor agropecuário, que estaria insatisfeito com políticas recentes de importação de carne bovina. Ambientalistas também ressaltam que já existem programas federais e estaduais de compensação financeira que cobrem eventuais prejuízos sofridos pelos criadores de gado.
Paralelamente à ordem sobre os predadores, a gestão de Donald Trump implementou em julho outras alterações significativas na legislação ambiental. Entre as mudanças estão a eliminação da definição ampla de dano ao habitat natural, a revogação de extensões automáticas de proteção a animais ameaçados e a obrigatoriedade de considerar fatores econômicos na demarcação de áreas críticas para a preservação da fauna.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
