Três semanas em um cenário político repleto de sobressaltos representam um longo período, enquanto seis semanas equivalem a uma verdadeira eternidade. Esse é o intervalo exato que separa o momento atual do primeiro e do segundo turno das eleições gerais.
Até a realização dos pleitos, diversos acontecimentos devem transcorrer, embora nada indique que haverá uma alteração substancial no quadro de disputa consolidado entre Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Enquanto a fotografia capturada pelas pesquisas eleitorais ainda mostra o presidente Lula na liderança, o filme da campanha revela outra dinâmica: a distância entre os concorrentes tem se estreitado e, em alguns levantamentos, o senador Flávio Bolsonaro chega a inverter a linha da frente.
As campanhas de ambos os candidatos operam com margens de manobra extremamente reduzidas e apostam na utilização de episódios em que a polícia se mistura com a política e a Justiça como principal matéria-prima para a troca de ataques mútuos.
No entanto, o fator determinante daqui em diante não serão as palavras veementes proferidas pelos candidatos, mas sim a gravidade dos fatos e a real capacidade que eles possuem de influenciar o voto da parcela de eleitores considerados independentes, estimada pelos institutos de pesquisa em uma média nacional de 10%.
Trata-se de um contingente expressivo de aproximadamente 15 milhões de brasileiros aptos a votar que, até o presente momento, não demonstraram sensibilização por outras candidaturas nem aderiram à dinâmica de paixões e aversões que costuma afastar o critério da racionalidade na escolha do chefe do Executivo.
Atualmente, o presidente da República surge em desvantagem na tentativa de capturar esse eleitorado específico. Munido de uma longa trajetória política, cinco vitórias presidenciais de seu partido, o uso acentuado da máquina pública, pacotes de benefícios sociais e uma aura de figura de destaque, Lula acabou estacionando ao lado de um adversário considerado sem lastro político sólido.
Flávio Bolsonaro é apontado como um senador inexpressivo que foi alçado à condição de candidato com o propósito principal de manter o sobrenome em evidência na ribalta política e blindar seu pai contra o risco de prisão.
Em uma análise estritamente teórica, tratava-se de uma batalha profundamente desigual, cenário esse que era amplamente aguardado e desejado pelo Partido dos Trabalhadores até que a realidade prática demonstrasse o oposto.
A dinâmica da disputa acabou colocando trajetórias políticas de naturezas tão distintas em um mesmo patamar de disputa, forçando Lula a confrontar o oponente considerado o mais desqualificado dentre o leque de antigos adversários enfrentados ao longo de sua carreira.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
