O inquérito da Polícia Federal sobre o filme Dark Horse, que apura suspeitas de irregularidades no financiamento da produção e recebeu recursos de Daniel Vorcaro, trouxe novos detalhes sobre o orçamento do longa-metragem. O documento integra um dos inquéritos relacionados ao Banco Master tornados públicos por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A planilha de custos previstos detalha que o ator americano Jim Caviezel receberia um cachê de US$ 4 milhões — cerca de R$ 20,48 milhões na cotação atual — para interpretar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora o nome de Caviezel não apareça explicitamente, as duas primeiras parcelas que o banqueiro deveria pagar constam descritas como ‘talento principal’, termo utilizado na indústria para o protagonista.
Profissionais da indústria cinematográfica consultados consideram a cifra exagerada para o atual momento da carreira do ator e para o escopo da produção. A título de comparação, Robert Downey Jr. recebeu a mesma quantia para atuar em Oppenheimer, enquanto Joaquin Phoenix ganhou US$ 4,5 milhões para estrelar o primeiro filme de Coringa. Especialistas apontam que a distribuição e o apelo global de produções como essas diferem drasticamente do alcance projetado para uma obra focada na figura de Bolsonaro.
Outro ponto que chamou a atenção dos especialistas foi a expectativa ambiciosa de bilheteria apresentada no plano de negócios enviado a Vorcaro. O documento projetava receitas brutas entre US$ 45 milhões no cenário pessimista e US$ 100 milhões no otimista. No cenário mais otimista, a arrecadação se equipararia à de produções internacionais recentes de grande apelo pop, como o filme Rivais, estrelado por Zendaya.
A divisão interna dos custos da produção também foi considerada atípica por diretores e produtores do setor. A tabela apresentada direcionava a maior fatia do orçamento para a pós-produção, com 34,7%, seguida pela pré-produção, enquanto as filmagens receberiam apenas 13,9%, proporção avaliada como incomum em comparação com os padrões habituais da indústria audiovisual.
O relatório da Polícia Federal ressalta que o descompasso entre os valores da produção e os habitualmente observados no mercado audiovisual brasileiro reforça a necessidade de aprofundar as investigações sobre a destinação dos recursos e a compatibilidade econômica da operação financeira. A assessoria do senador Flávio Bolsonaro indicou que o assunto deve ser tratado com a produtora do filme, enquanto a defesa e os representantes citados continuam sob escrutínio das autoridades competentes.
Fonte: g1.globo.com
