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Planeta completa 100 dias de recorde de calor no oceano e temperatura segue alta

Os oceanos completaram cem dias consecutivos com recordes de temperatura média diária, impulsionados pela combinação entre as mudanças climáticas e a atuação do fenômeno El Niño.

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Planeta completa 100 dias de recorde de calor no oceano e temperatura segue alta

Os oceanos do planeta registraram uma marca histórica alarmante ao completarem, em 10 de setembro, cem dias consecutivos de recordes de calor nas temperaturas da superfície marinha. Dados divulgados pela agência climática dos Estados Unidos, a Noaa, indicam que as médias diárias globais continuam em patamares inéditos desde o início de junho, consolidando um cenário de estresse térmico sem precedentes para os ecossistemas aquáticos.

Esse aquecimento extremo é impulsionado pela somatória de dois fatores principais: a intensificação das mudanças climáticas globais e a consolidação de um forte fenômeno El Niño na região tropical do Pacífico. Cientistas explicam que cerca de 90% do calor retido pelas emissões de gases de efeito estufa geradas por atividades humanas acabam sendo absorvidos pelas massas de água do planeta.

Especialistas em conservação ambiental apontam que a permanência prolongada dessas temperaturas excepcionalmente altas revela um grave desequilíbrio no balanço energético da Terra. Estimativas preliminares apontam que a temperatura global da superfície marinha fora das regiões polares atingiu 21,15°C em meados de setembro, superando marcas de anos anteriores marcados pelo mesmo fenômeno climático.

O impacto dessa alta térmica na biodiversidade marinha é profundo e preocupante. Enquanto espécies terrestres conseguem buscar refúgio ou refrigeração artificial, a adaptação dos organismos aquáticos é extremamente limitada. O encurtamento do intervalo entre grandes perturbações térmicas reduz drasticamente o tempo necessário para que recifes de coral e outras espécies consigam se recuperar.

No Brasil, dados recentes demonstram que a temperatura da superfície do mar subiu consideravelmente nas últimas décadas, acompanhada por uma expressiva redução na cobertura de corais duros. Como esses ecossistemas sustentam um quarto de toda a vida marinha, a degradação ambiental afeta diretamente a sobrevivência de comunidades costeiras e a atividade pesqueira artesanal.

Além dos danos ecológicos diretos, o aquecimento contínuo dos oceanos alimenta a atmosfera com mais calor e umidade, intensificando temporais e tempestades. A expansão térmica da água também acelera a elevação do nível do mar, aumentando os riscos de erosão e inundações em zonas costeiras e exigindo urgência em estratégias globais de corte de emissões de poluentes.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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