A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou nesta terça-feira (15) a segunda fase da Operação Lívia, uma investigação aprofundada que apura a atuação de uma rede virtual suspeita de coagir crianças e adolescentes a participarem de atos de violência e de crueldade contra animais. A apuração teve como marco inicial a morte de uma adolescente de 13 anos ocorrida em julho deste ano no município de Naviraí, localizado a 359 quilômetros de Campo Grande, durante uma transmissão ao vivo na plataforma Discord.
Nesta nova etapa da ofensiva, a operação mira diretamente seis adolescentes suspeitos de integrar o grupo criminoso. Foram cumpridas ordens judiciais de internação e de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. A coordenação do trabalho policial é feita pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, contando com o suporte técnico do Ciberlab, o Laboratório de Operações Cibernéticas vinculado ao Ministério da Justiça.
De acordo com o inquérito, os investigados utilizavam o ambiente digital para coagir menores de idade e submetê-los a sessões de crueldade contra animais. A polícia busca esclarecer de que maneira os suspeitos abordavam as vítimas, estabeleciam vínculos de proximidade e exerciam forte pressão psicológica. A adolescente de Naviraí, por exemplo, foi tratada como uma espécie de “escrava virtual” após ser submetida a um rigoroso controle psicológico pela organização criminosa.
Esta nova fase acontece pouco mais de um mês após a primeira ofensiva policial realizada em agosto, que resultou na prisão de um adulto e na apreensão de cinco adolescentes, incluindo um jovem de 14 anos apontado como líder do grupo. O avanço nas investigações permitiu identificar novos elementos sobre o funcionamento da rede, culminando nos mandados cumpridos hoje em diferentes regiões do país.
O trágico falecimento da jovem de 13 anos mobilizou as autoridades a monitorarem de perto as atividades da organização. A DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) assumiu o caso após acionamento do Ciberlab em julho. Para os investigadores, o episódio vai além de um caso comum de suicídio, havendo elementos consistentes que indicam induzimento e controle rigoroso sobre a vítima, configurando o contexto para investigação de homicídio.
O impacto do caso também gerou reflexos regulatórios sobre a plataforma utilizada nas transmissões. Desde o dia 12 de agosto, as lives no Discord encontram-se suspensas em todo o território nacional por determinação expressa da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados). Com a intensificação das diligências nesta segunda fase, a Polícia Civil busca dimensionar o real alcance do grupo e identificar eventuais novas vítimas da rede criminosa.
Fonte: www.campograndenews.com.br
