Em uma rua, parecem cinco. Na hora da comida, aparecem dez, quinze e, às vezes, dezenas de gatos. Foi acompanhando colônias assim em Campo Grande que Priscila Sleimann, Luana Martins e Indiara Borba perceberam o tamanho do problema e decidiram agir para conter a procriação descontrolada na Capital.
Desde maio, as três estão à frente da Frente Felina CG, um projeto independente que já realizou a castração de mais de 80 gatos que vivem nas ruas. O trabalho segue rigorosamente o método CED, sigla para Captura, Esterilização e Devolução, onde os animais são capturados, passam pelo procedimento cirúrgico e, quando não há possibilidade de adoção imediata, retornam ao local de origem.
A iniciativa nasceu no bairro São Francisco, unindo a experiência anterior de Indiara e Luana no projeto Proteção Felina da UFMS com a dedicação de Priscila, que já alimentava animais em colônias próximas à sua residência. O acesso a uma gatoeira da universidade deu o pontapé inicial para que o grupo estruturasse as ações de captura voluntária.
Como o projeto não possui um abrigo físico próprio, o foco principal não é retirar todos os gatos das vias públicas, mas sim interromper o ciclo de reprodução para estabilizar e diminuir gradativamente a população das colônias. Moradores e protetores locais ajudam a mapear os horários e a quantidade exata de bichanos presentes em cada região.
Manter o ritmo de castrações exige recursos financeiros significativos. Com parceria firmada junto à Clínica Gênesis, cada procedimento custa R$ 150, somando cerca de R$ 12 mil investidos apenas nos primeiros meses de atividade. Além disso, despesas com consultas, exames, medicamentos, internações e transporte aumentam o custo total da operação.
O grupo também enfrenta o desafio de encontrar lares temporários para filhotes, animais sociáveis ou aqueles que precisam de cuidados especiais e não podem retornar imediatamente para as ruas. Para as voluntárias, a alimentação é fundamental para o bem-estar momentâneo, mas a castração continua sendo a única ferramenta real para evitar o nascimento contínuo de novos filhotes desamparados.
Fonte: www.campograndenews.com.br
