As vendas varejistas no Brasil registraram um recuo maior do que o projetado pelo mercado em julho, indicando fraqueza logo no início do segundo semestre e marcando o pior desempenho do setor em três meses. O cenário corrobora os sinais crescentes de enfraquecimento da atividade econômica brasileira.
De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do comércio varejista apresentou queda de 0,8% em julho na comparação com o mês anterior. Apesar do resultado negativo na margem, o índice ainda apontou uma alta de 1,2% quando comparado ao mesmo mês do ano anterior.
Os números oficiais vieram abaixo das expectativas levantadas por pesquisas de mercado, que projetavam uma retração mais amena de 0,2% na base mensal e um avanço de 2,15% na comparação anual. Esta retração mensal no volume de vendas foi apenas a segunda registrada ao longo do ano, sucedendo a queda de 1,1% observada no mês de abril.
Especialistas apontam que a economia do país deve continuar exibindo sinais de desaceleração durante o segundo semestre, pressionada por uma política monetária restritiva, mesmo diante da resiliência do mercado de trabalho e de medidas governamentais de estímulo ao consumo. Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, encontra-se em patamar elevado, o que restringe o acesso ao crédito.
Na desagregação por setores pesquisados pelo IBGE, cinco das oito atividades analisadas apresentaram retração frente a junho. Entre as principais quedas destacaram-se os segmentos de móveis e eletrodomésticos, livros, jornais, revistas e papelaria, tecidos, vestuário e calçados, além de hiper e supermercados. Em contrapartida, três divisões registraram resultados positivos, incluindo artigos farmacêuticos e combustíveis.
Analistas do mercado financeiro avaliam que o resultado reforça a leitura de uma desaceleração gradual da atividade econômica neste trimestre. Enquanto categorias voltadas ao consumo discricionário sofrem maior impacto do cenário restritivo, segmentos amparados por uma demanda essencial mais resiliente continuam sustentando parte do fluxo comercial do país.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
