O porteiro Manuel Severino Silva dos Santos, de 53 anos, deixou nesta terça-feira (15) a favela do Moinho, situada no centro de São Paulo. Ele era considerado o último morador remanescente da comunidade, onde residia havia pelo menos duas décadas. A saída de Santos marca o fim definitivo da ocupação no terreno repleto de entulho.
O encerramento da favela do Moinho faz parte de um amplo plano de requalificação urbana conduzido na região central da capital paulista. Cerca de 850 famílias foram contempladas em um acordo de reassentamento firmado entre as gestões do governador Tarcísio de Freitas e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O programa garantiu moradias totalmente subsidiadas para os antigos ocupantes da área.
Originariamente pertencente à União, o terreno foi cedido ao estado de São Paulo para a futura implantação de um parque público, enquanto o governo estadual detém a responsabilidade sobre as linhas ferroviárias metropolitanas que circundam o espaço. O projeto prevê a transformação radical da paisagem urbana local nos próximos meses.
Manuel Severino havia ficado inicialmente de fora do programa habitacional devido a um entrave na análise de renda, que computou adicionais noturnos e horas extras ao seu salário. Contudo, após novos cálculos, o financiamento foi aprovado sem custos adicionais, garantindo um apartamento em um condomínio vizinho. Ele relatou o processo de mudança e a melancolia de perder o convívio com os antigos vizinhos.
A gestão estadual obteve na Justiça o aval para proceder com a demolição das estruturas vazias com o objetivo de impedir novas invasões na área. Com a saída gradual dos moradores, a principal rua do Moinho transformou-se em um caminho deserto, restando apenas escombros e lembranças da comunidade que ali se formou ao longo dos anos.
A desmobilização da comunidade também está associada a projetos futuros na região, incluindo a construção da nova sede do governo paulista a cerca de um quilômetro de distância. As autoridades estaduais justificam a remoção com base em investigações que apontavam a presença de células criminosas na comunidade, num processo que coincidiu com as ações de desmonte da cracolândia no centro da cidade.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
