Uma sessão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) colocou a corte no centro do debate público em meio ao período de campanha eleitoral, evidenciando profundas divisões e tensões entre grupos rivais de ministros. No plenário, a ministra Cármen Lúcia acompanhou os debates com o queixo e a testa apoiados nas mãos, demonstrando espanto diante de uma sequência de discussões acaloradas e acusações mútuas.
Em uma demonstração incomum do clima de alerta, pelo menos oito policiais circularam pelo plenário para monitorar a plateia, agindo de forma semelhante a lanterninhas de cinema. A segurança chegou a intervir quando uma pessoa utilizou mímicas para se comunicar à distância, o que levou o público presente a adotar a troca de bilhetes em razão da exigência de silêncio absoluto.
Sentados lado a lado por ordem de antiguidade, os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes mantiveram distância e evitaram contato visual durante a leitura do relatório conduzida pelo presidente da corte, Edson Fachin. Logo após, iniciou-se um duro embate no qual Moraes acusou Mendonça de articular uma investigação contra ele relacionada ao caso do Banco Master, enquanto Mendonça reagiu chamando o colega de mentiroso.
Enquanto aguardava sua vez de falar ou debater, Mendonça alternava entre manter as mãos em formato de oração, batucar na mesa e destacar trechos de documentos com marca-textos cor-de-rosa. Em contrapartida, Moraes balançava a cadeira para os lados, olhava para o teto, manuseava o celular e fazia anotações nos autos do processo com uma caneta azul.
No intervalo das deliberações, o ministro Flávio Dino aproximou-se de Edson Fachin para sinalizar que suas críticas anteriores à condução dos trabalhos não tinham caráter pessoal, além de dialogar com André Mendonça sobre os procedimentos adotados. Com a retomada da sessão no período da tarde, as críticas de Dino se intensificaram, culminando em um pedido de vista que interrompeu temporariamente o julgamento.
A sessão foi encerrada no fim da tarde com Fachin sendo ladeado e apoiado pelos ministros Cármen Lúcia e Luiz Fux ao deixarem o plenário, enquanto episódios de descontração e gargalhadas foram registrados entre os magistrados na sala de lanches anexa, encerrando um dia de intensas movimentações nos bastidores da mais alta corte do país.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
