O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou nesta quinta-feira (17) que o Brasil convive há décadas com uma taxa de juro real elevada motivada por razões de cunho estrutural, e não apenas por fatores conjunturais ligados à política fiscal do governo. De acordo com o representante da pasta econômica, o país possui características institucionais e jurídicas específicas que acabam pressionando o custo do capital para patamares superiores à média internacional.
As declarações do secretário foram feitas durante um congresso promovido pela Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais). Durante o evento, Ceron pontuou que o componente fiscal certamente possui peso na formação das taxas, mas ressaltou que esse fator isolado não esgota a explicação completa para o cenário de juros altos enfrentado historicamente pela economia brasileira.
O secretário-executivo também chamou a atenção para um aspecto que considera frequentemente negligenciado no debate macroeconômico nacional: a baixa formação de poupança de longo prazo no país. Segundo ele, nações que registram juros reais mais baixos costumam contar com fundos de pensão e planos de previdência complementar muito mais robustos, instrumentos que ajudam a ampliar a poupança interna e a baratear o financiamento.
Diante desse cenário, Ceron defendeu que a discussão sobre o sistema previdenciário precisa ganhar espaço na agenda pública nacional e deixar de ser tratada como um tabu, especialmente diante do processo de envelhecimento acelerado da população. Para o número dois da Fazenda, a naturalização desse debate é fundamental para assegurar a sustentabilidade do sistema e evitar pressões excessivas sobre o orçamento federal.
Ainda durante o congresso, Ceron apontou o que classificou como uma “certa hipocrisia” no debate fiscal brasileiro. Ele argumentou que, ao contrário da política monetária — que dispõe de instrumentos operacionais e automáticos nas mãos do Banco Central —, a política fiscal carece de mecanismos ágeis que permitam aos gestores garantir o cumprimento automático das metas estabelecidas para as contas públicas.
Para enfrentar essas distorções de forma duradoura, o secretário defendeu a combinação de previsibilidade fiscal, melhorias institucionais e o fortalecimento da poupança de longo prazo. Na visão do Ministério da Fazenda, a criação de ferramentas e gatilhos mais efetivos para o ajuste das contas públicas depende de um pacto social mais amplo, capaz de reduzir os prêmios de risco e favorecer a queda estrutural dos juros no país.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
