O Ministério Público do Estado do Ceará apresentou um requerimento para a instauração de um procedimento de investigação criminal voltado a apurar denúncias graves envolvendo a filial brasileira da gigante sul-coreana Posco. Entre os alvos da apuração estão acusações de oferta de suborno a uma testemunha e a possível prática de crimes falimentares no território nacional.
A controvérsia jurídica gira em torno da atuação da Posco Engenharia e Construção Brasil, que foi contratada e recebeu recursos expressivos — estimados em US$ 5,5 milhões, equivalentes a cerca de R$ 26 milhões na época — para participar da construção da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), inaugurada em 2016. No entanto, em vez de honrar seus compromissos, a empresa acumulou dívidas vultosas com fornecedores locais, trabalhadores e obrigações fiscais.
Estimativas apontam que o montante total devido ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão, de acordo com levantamentos da Associação Internacional dos Credores da Posco. Diante do quadro de insolvência, a empresa surpreendeu o mercado corporativo em setembro de 2025 ao alegar uma crise considerada insanável e solicitar a sua própria autofalência perante a Justiça cearense, alegando incapacidade de liquidar o passivo e disponibilizando poucos bens remanescentes.
Um dos aspectos centrais destacados pelo promotor de justiça envolve a acusação formal de que executivos ligados ao grupo Posco teriam tentado subornar uma ex-funcionária. A testemunha em questão é tida como peça-chave para elucidar as operações financeiras e a movimentação de recursos da companhia durante o período de execução dos contratos.
O parecer ministerial também aponta indícios consistentes obtidos por meio de despesas custeadas com cartões corporativos do conglomerado, reconhecimento interno de créditos, retenção de pagamentos e documentações que sugerem a ingerência direta da POSCO Holdings Inc. na tomada de decisões estratégicas. O documento judicial reforça a importância de preservar rigorosamente a cadeia de custódia de provas digitais, incluindo mensagens eletrônicas e áudios, além de determinar a tradução juramentada de documentos estrangeiros.
Representantes dos credores celebraram a movimentação processual. Para Frederico Costa, presidente da associação que defende os interesses dos afetados, a manifestação do MP-CE representa um marco fundamental para o esclarecimento cabal dos fatos e a busca por uma solução justa para as centenas de prejudicados pelo calote bilionário.
Fonte: noticias.uol.com.br
