O Ministério Público de São Paulo deu um novo passo em relação a uma declaração polêmica emitida na televisão e requisitou à Delegacia Seccional de Polícia de Osasco a abertura de um inquérito policial contra o apresentador Carlos Massa, conhecido popularmente como Ratinho. O pedido investiga uma fala considerada homofóbica proferida durante a exibição do seu programa na emissora SBT.
A requisição das autoridades ministeriais tem como base uma representação formal apresentada pelo deputado estadual suplente e ativista dos direitos da população LGBTQIA+, Agripino Magalhães. O caso em questão ocorreu no início do mês de agosto, durante a transmissão ao vivo do Programa do Ratinho.
Na ocasião, o apresentador recebeu em seu palco o cantor Tiago Piquilo, que integra a dupla sertaneja Hugo & Tiago, e fez comentários a respeito da nova aparência do artista. Ao notar o cabelo do cantor, Ratinho disparou publicamente: “Você pintou o cabelo? Meu Deus… Você tá com uma cara de viado”.
Diante da repercussão negativa gerada pelo episódio, o apresentador tentou se justificar e alegou que tudo não passou de uma brincadeira, pontuando que atua na televisão há quase três décadas sem a intenção de desrespeitar ninguém. “Eu estava brincando, faz 28 anos que eu brinco na televisão, nunca desrespeitei uma pessoa sequer”, declarou.
Por outro lado, o autor da denúncia rebateu a justificativa dada pelo comunicador e destacou a gravidade do ato. Conforme avaliou o ativista, tratamentos e termos dessa natureza não configuram brincadeira, mas sim preconceito, constrangimento público e reforço direto à violência simbólica direcionada à comunidade LGBTQIAPN+.
A defesa do canal de televisão também se manifestou sobre o episódio por meio da presidente do SBT, Daniela Abravanel Beyruti, que saiu em defesa do funcionário. Segundo ela, Ratinho pertence a uma geração diferente e a empresa mantém uma postura de acolhimento e respeito à diversidade.
De acordo com a dirigente da emissora, todos são aceitos e bem-vindos nos palcos do canal, reiterando que a população LGBT faz parte da história da empresa e que existe igualdade independentemente de qualquer fator. Vale destacar que esta foi a quarta denúncia formalizada pelo político contra o apresentador por causa de manifestações públicas direcionadas à comunidade.
Fonte: redir.folha.com.br
