Pesquisadores responsáveis por um estudo publicado no Journal of Vertebrate Paleontology anunciaram a identificação da primeira evidência esquelética do dinossauro Diplodocus fora do território norte-americano. O achado compreende diversas vértebras e ossos chevron datados de aproximadamente 150 milhões de anos, localizados em um sítio no leste da Espanha.
O trabalho foi conduzido por uma equipe da Fundação Dinópolis, situada em Teruel, que se dedica à investigação do rico sítio fossilífero de La Tejería, no município de El Castellar. Com a nova descoberta, o célebre animal passa a integrar uma lista em expansão de saurópodes de grande porte identificados na região europeia.
Apesar de o herbívoro de pescoço longo e cauda proeminente figurar entre os dinossauros mais conhecidos mundialmente, seus restos fossilizados haviam sido documentados exclusivamente na América do Norte até o momento. O artigo científico classifica o material recolhido como um dos esqueletos de diplodocídeos mais completos já achados no continente europeu.
Segundo a análise sistemática realizada em 14 vértebras caudais e em variados ossos chevron, conhecidos tecnicamente como arcos hemais, os elementos podem ser atribuídos com segurança ao gênero Diplodocus. Os autores destacam que o material representa uma forte comprovação do intercâmbio de faunas continentais entre a América do Norte e a Europa durante o período do Jurássico Superior.
Historicamente, a presença de diplodocídeos na Europa era considerada escassa e altamente fragmentária, contrastando com a vasta representação norte-americana e com réplicas famosas expostas em museus internacionais. A nova evidência fóssil reforça as teorias de que o proto-Oceano Atlântico contava com pontes terrestres temporárias ou recuos no nível do mar que facilitavam a travessia de animais terrestres.
Descrições recentes encontradas em áreas próximas à costa atlântica na Espanha e em Portugal sustentam a hipótese de rotas de dispersão faunística. Para os cientistas, o achado consolida os eventos episódicos de migração através do proto-Atlântico Norte ocorridos entre o Kimmeridgiano tardio e o Titoniano inicial.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
