Um estudo recente conduzido no Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, e publicado no periódico científico Expert Review of Anti-infective Therapy aponta que cerca de um em cada quatro portadores do vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV-1), considerados assintomáticos, manifesta um conjunto de sinais característicos de uma síndrome inflamatória.
Os pesquisadores sugerem a criação de uma nova entidade clínica para classificar esses indivíduos que, embora não desenvolvam as patologias clássicas associadas ao retrovírus, tampouco estão livres de complicações decorrentes da infecção contínua no organismo.
O HTLV-1 é um patógeno milenar que afeta células do sistema imunológico, comprometendo suas funções originais. A transmissão ocorre principalmente de mãe para filho por meio do aleitamento materno, além de relações sexuais desprotegidas e compartilhamento de seringas, sendo que a medicina ainda não dispõe de tratamento capaz de erradicá-lo do corpo.
Enquanto a imensa maioria dos infectados não manifesta as formas mais graves — como a mielopatia associada ao HTLV-1 ou neoplasias hematológicas —, uma investigação mais profunda revela que muitos enfrentam dores articulares, distúrbios geniturinários, dermatológicos e oculares que comprometem severamente a qualidade de vida.
Durante uma década de acompanhamento sistemático com mais de 700 pacientes, a equipe constatou que 24% apresentavam manifestações inflamatórias e neurológicas subclínicas, posicionando-se em uma zona intermediária que não preenche os critérios rígidos para as doenças tradicionais.
Diante desse cenário, os autores propõem o termo distúrbio inflamatório múltiplo associado ao vírus para preencher essa lacuna diagnóstica, defendendo que o reconhecimento precoce do quadro pode melhorar o manejo médico, o acolhimento das queixas e a vigilância clínica contínua desses pacientes.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
