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Se o CDI rendeu mais, por que diversificar? Análise aborda os riscos e a lógica por trás da alocação de ativos

Avaliar decisões financeiras passadas olhando apenas para o resultado final pode levar a conclusões equivocadas sobre a importância de diversificar uma carteira de investimentos.

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Se o CDI rendeu mais, por que diversificar? Análise aborda os riscos e a lógica por trás da alocação de ativos

A tomada de decisões no mercado financeiro é cercada por constantes incertezas. Um equívoco comum cometido por investidores é avaliar uma estratégia adotada no passado utilizando apenas o conhecimento do resultado obtido, ignorando o cenário de imprevisibilidade existente no momento da escolha. Sob uma análise puramente retrospectiva, pode parecer que concentrar todo o capital em um único ativo de alta rentabilidade teria sido a melhor opção, embora essa certeza só exista após os fatos terem ocorrido.

Esse raciocínio equivocado assemelha-se à falsa impressão de que contratar um seguro de automóvel foi um desperdício de dinheiro após anos sem nenhuma ocorrência de sinistro. A conclusão de que o pagamento foi desnecessário só é viável porque se sabe, a posteriori, que nada aconteceu. No entanto, no momento da contratação, o futuro era desconhecido, e a proteção cumpria o papel de mitigar riscos imprevisíveis.

A teoria moderna de carteiras, estabelecida nos trabalhos pioneiros de Harry Markowitz, demonstra que o valor de uma alocação não reside na tentativa de adivinhar qual ativo isolado apresentará o maior retorno. O princípio fundamental é compreender como diferentes investimentos se comportam conjuntamente, reduzindo a vulnerabilidade da carteira a cenários econômicos adversos e suavizando impactos negativos caso as apostas iniciais não se concretizem.

Para ilustrar essa dinâmica por meio de um exercício prático, o planejador patrimonial Michael Viriato estruturou uma carteira de perfil moderado combinando 40% em CDI, 10% em renda fixa prefixada, 20% em títulos indexados à inflação, 10% em fundos multimercados, 5% em fundos imobiliários, 7,5% no Ibovespa e 7,5% no S&P 500 com exposição cambial. O resultado recente dessa composição pode frustrar aqueles que esperam ganhos sistematicamente superiores aos da renda fixa tradicional.

Avaliando janelas temporais recentes, a carteira diversificada apresentou rentabilidades inferiores ao CDI. Nos últimos cinco anos, por exemplo, o portfólio moderado rendeu 10,73% ao ano, enquanto o CDI entregou 12,5%. Em horizontes mais curtos, como em 2026, o desempenho da carteira corresponde a cerca de 88% do indicador de referência. Esses números frequentemente provocam o questionamento sobre a utilidade de correr riscos adicionais quando o CDI oferece retornos expressivos com menor complexidade.

Contudo, a percepção sobre a eficácia da diversificação varia drasticamente conforme o recorte temporal analisado. Entre 2016 e 2020, o mesmo modelo de carteira superou consistentemente o CDI, alcançando marcas expressivas em anos individuais, como em 2019 e 2020. Em prazos ainda mais longos, como períodos de dez ou quinze anos, os ativos diversificados voltaram a apresentar médias superiores às do CDI, evidenciando que a escolha do vencedor depende fundamentalmente da janela de observação escolhida.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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