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Couvert e medalhão do tradicional La Mole, no Leblon, resgatam memórias afetivas

Em busca de conforto após uma semana difícil, crítica gastronômica revisita o clássico restaurante La Mole, no Rio de Janeiro, avaliando pratos tradicionais como o famoso couvert e o medalhão à piamontese.

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Couvert e medalhão do tradicional La Mole, no Leblon, resgatam memórias afetivas

Após enfrentar dias desafiadores e com o estado emocional fragilizado, a busca por conforto culinário levou a uma visita a um velho conhecido dos cariocas: o tradicional restaurante La Mole, localizado na movimentada rua Dias Ferreira, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro. Longe de arriscar decepções em estabelecimentos modistas ou focar em alta gastronomia de pequenos produtores, a escolha recaiu sobre sabores marcantes de outras épocas.

O roteiro afetivo começou pelo clássico couvert, oferecido a R$ 38. A mesa foi rapidamente ocupada por iguarias que acompanham gerações, incluindo linguiça calabresa frita em finas fatias, tapenade de azeitonas, manteiga, patê de fígado ao vinho, coalhada fresca, minicroquetes de carne, brioches, pizza branca, torradas com parmesão e grissini. Essa instituição gastronômica carioca, aberta desde 1958, mantém o charme e o apelo junto a famílias e fãs fiéis, evocando memórias de infância e juventude.

A segunda etapa do roteiro sentimental previa o pedido do filetto allegro, composto por cubos de filé-mignon grelhados acompanhados de talharim salteado na manteiga com espinafre, cenoura e alho frito. No entanto, o prato havia saído recentemente do cardápio oficial da casa. Diante da insistência afetuosa, a equipe de atendimento prontamente se dispôs a prepará-lo de improviso na cozinha, demonstrando cortesia, mas evidenciando falhas na execução: a carne veio endurecida e a massa perdeu o brilho, provando que a nostalgia não deve acobertar deslizes na qualidade.

A jornada gastronômica foi retomada com o medalhão à piamontese, acompanhado de batatas fritas (com preferência para a versão portuguesa, preparada na hora). O prato principal não decepcionou, mantendo o padrão esperado com um corte de carne alto, envolto em tiras de bacon e coberto por um denso molho de vinho tinto que equilibra os sabores do conjunto.

O acompanhamento de arroz à piamontese, preparado com arroz agulhinha, creme de leite e champinhom em conserva, reforça a identidade histórica do restaurante na adaptação de receitas internacionais ao paladar brasileiro. Embora adocicado para alguns paladares, o prato cumpre sua função de entregar aconchego e sabor tradicional.

Em funcionamento firme e forte na badalada via do Leblon há décadas, o estabelecimento prova que, apesar de tropeços pontuais em pratos fora de linha, pilares do cardápio como o couvert e o medalhão continuam cumprindo seu papel reconfortante para clientes em busca de resgate afetivo.

Fonte: guia.folha.uol.com.br

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