Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam de forma reservada que o novo pedido apresentado pelo ministro André Mendonça para que Alexandre de Moraes seja investigado por abuso de poder indica a ausência de disposição para uma composição capaz de solucionar a crise institucional que afeta a Corte há mais de 20 dias.
Nos bastidores, aliados de Moraes sustentam que a movimentação de Mendonça teve caráter revanchista, servindo como um “troco” após Moraes utilizar relatórios de inteligência para apontar supostas irregularidades na condução de processos sob a relatoria de Mendonça nos casos Master e INSS.
Em contrapartida, o grupo de apoio a Mendonça defende que a iniciativa obteve êxito ao expor publicamente o que o ministro classifica como uma instrumentalização da Polícia Federal (PF).
O consenso entre as diferentes alas do tribunal é de que o ofício protocolado por Mendonça elevou a pressão sobre o presidente do STF, Edson Fachin, evidenciando sua estratégia de apostar em diálogos individuais em detrimento de articulações coletivas de bastidor para gerenciar a crise.
Interlocutores que conversaram recentemente com Fachin recomendaram que o magistrado adie qualquer tentativa de conciliação para o período posterior às eleições, avaliando que o desfecho do pleito trará um cenário de maior previsibilidade para a Corte lidar com os conflitos.
Dentre os caminhos aventados nos bastidores está o avanço de apurações tanto em relação a Moraes quanto a Mendonça, além de verificações envolvendo todos os nomes citados direta ou indiretamente devido a possíveis conexões com Daniel Vorcaro.
Atualmente, não há um prazo estipulado para que o presidente Edson Fachin tome uma decisão formal sobre o pedido de investigação apresentado por André Mendonça contra Alexandre de Moraes.
A tensão na Corte teve um marco recente em 15 de setembro, quando o plenário iniciou a discussão sobre a abertura de apuração contra Moraes com base em um relatório da PF que o apontava como interlocutor de dezenas de mensagens de Daniel Vorcaro, sessão marcada por bate-bocas e suspensa após pedido de vista de Flávio Dino.
O prazo regimental do pedido de vista encerra-se em dezembro, na reta final das atividades judiciais do ano, cenário que pode postergar uma definição definitiva sobre o caso para o próximo ano.
O julgamento do pedido de investigação protocolado por Mendonça estava agendado para esta quarta-feira (23), mas acabou suspenso e será remarcado devido a discussões sobre a conveniência de analisar os casos de ambos os ministros de forma conjunta.
Fonte: g1.globo.com
