Movimentos sociais e entidades de direitos humanos se mobilizaram para entregar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento contendo denúncias severas de violência política de gênero no Brasil. Os relatos ganham ainda mais visibilidade e urgência durante o período de disputas eleitorais, momento em que o número de ocorrências costuma registrar aumentos expressivos em todo o território nacional.
Estatísticas do próprio TSE apontam uma escalada alarmante nos processos judiciais relacionados a essa prática criminosa, com um salto de 11 vezes no volume de casos registrados entre os anos de 2022 e 2024. A gravidade da situação se reflete em episódios recentes relatados em diferentes estados brasileiros, evidenciando riscos físicos diretos às mulheres que ocupam ou buscam cargos de representação política.
Entre os episódios de destaque mapeados pelas organizações, uma deputada estadual em Pernambuco foi atingida por uma pedrada durante atividades de campanha no interior e precisou ser hospitalizada. Já no Espírito Santo, um artefato explosivo foi arremessado na direção de integrantes da campanha de uma candidata à Câmara dos Deputados. Situações de extrema intimidação também ocorreram em Minas Gerais, onde uma candidata sofreu ameaças de estupro na internet com exposição de dados de seus familiares, e no Rio de Janeiro, com ameaças explícitas de morte que mencionavam o histórico do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco.
Diante da gravidade desse cenário, especialistas apontam que o enfrentamento efetivo exige ações enérgicas do poder público, destacando a responsabilização rigorosa dos agressores como fator determinante. Conforme avaliam representantes de entidades como a Terra de Direitos, a sensação de impunidade e a escassez de respostas institucionais acabam encorajando novos ataques e tentativas de silenciamento contra as candidatas e gestoras públicas.
Estudos específicos sobre o perfil das vítimas demonstram que a violência não ataca todas as mulheres de maneira igualitária. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Marielle Franco indicou que a imensa maioria dos casos mapeados entre 2021 e 2025 recaiu sobre mulheres negras, grupo frequentemente alvo de ofensas direcionadas ao corpo, à aparência e a características raciais de forma mais perversa.
Para qualificar a atuação do Estado e coibir essas práticas, os movimentos defendem o aprimoramento da legislação vigente, incluindo a incorporação explícita da perspectiva de raça nas normas de prevenção e combate à violência política. Além disso, reforçam a necessidade de campanhas educativas, cooperação com plataformas digitais e maior rigor na proteção do exercício democrático e da representatividade feminina.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
