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Borboletas buscam novos refúgios climáticos ao redor do planeta

Um estudo científico global aponta que a maioria das espécies de borboletas ampliou sua área de distribuição para escapar de eventos climáticos extremos como ondas de calor e secas.

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Borboletas buscam novos refúgios climáticos ao redor do planeta

Os impactos crescentes das mudanças climáticas globais estão impulsionando as borboletas a buscam novos refúgios ambientais. A conclusão alarmante e reveladora faz parte de um estudo científico recentemente publicado na conceituada revista Nature Ecology and Evolution, indicando que cerca de 80% das espécies de borboletas monitoradas expandiram suas áreas de distribuição natural ao redor do mundo, impulsionadas primordialmente por eventos climáticos extremos, a exemplo de secas severas e ondas de calor prolongadas.

Para alcançar esses dados, a pesquisa fundamentou-se em uma rigorosa análise global que abrangeu registros históricos e recentes de alterações na distribuição geográfica de 1.758 tipos diferentes de borboletas. Esse montante representa aproximadamente 10% de todas as espécies conhecidas pela ciência, catalogadas ao longo de 105 países distintos, oferecendo um panorama amplo sobre a adaptação dos insetos.

Cientistas vinculados a importantes centros de pesquisa na Alemanha e na Austrália constataram que os lepidópteros ampliaram expressivamente o tamanho de seus habitats na tentativa de encontrar zonas de escape climaticamente viáveis. Os números mostram que 79% de todas as transformações de habitat documentadas guardam relação direta com os reflexos de intempéries meteorológicas drásticas.

Enquanto a grande maioria das espécies buscou uma expansão horizontal abrangendo vários continentes, os índices mais expressivos de ampliação territorial foram registrados com destaque em nações tropicais. Paralelamente, pelo menos 27% das espécies sofreram algum grau de redução em seus territórios originais, ao passo que 22% precisaram migrar para áreas de maior altitude na tentativa de escapar de temperaturas excessivamente elevadas.

Conforme aponta Shawan Chowdhury, pesquisador da Universidade de Monash, em Melbourne, na Austrália, e um dos principais autores da investigação, a complexidade das mudanças faz com que os impactos afetem a totalidade das espécies analisadas. O cientista destaca que a magnitude com que esses insetos vêm alterando suas faixas de dispersão geográfica em escala global surpreende e ultrapassa largamente os limites das regiões tradicionalmente mais estudadas, como a Europa e a América do Norte.

Apesar do avanço na coleta de dados, os pesquisadores alertam para lacunas geográficas importantes em regiões tropicais de altíssima biodiversidade, como a África Central, o Sudeste Asiático, a Nova Guiné e a Bacia Amazônica. Nesses locais fundamentais para a ecologia global, os registros detalhados sobre as mutações nos habitats ainda cobrem uma parcela muito restrita das espécies, demonstrando a urgência de novas frentes de estudo sobre a fauna perante a crise do clima.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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