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União Europeia pressiona Reino Unido a elevar tarifas sobre a China para evitar isolamento

A UE alertou o premiê britânico, Andy Burnham, sobre a necessidade de aumentar tarifas contra produtos chineses para alinhar-se ao bloco europeu.

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União Europeia pressiona Reino Unido a elevar tarifas sobre a China para evitar isolamento

A União Europeia intensificou as pressões sobre o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, exigindo que o país eleve as tarifas sobre produtos chineses e aproxime sua política comercial do bloco europeu. Segundo autoridades de Bruxelas, a medida é fundamental para evitar que o mercado britânico se torne uma porta de entrada para mercadorias da China sem o pagamento das devidas taxas, o que resultaria em barreiras comerciais do tipo ‘fabricado na Europa’ contra as exportações do Reino Unido.

Para tentar solucionar os impasses e garantir tratamento igualitário aos produtos britânicos, representantes da UE sugeriram que Londres adira à união aduaneira. No entanto, o premiê britânico descartou a adesão tanto à união aduaneira quanto ao mercado único, reafirmando o compromisso com os limites estabelecidos pelo Partido Trabalhista nas últimas eleições. Ainda assim, analistas apontam que a rejeição a essas estruturas não elimina o dilema enfrentado pelo governo de Londres.

O setor automotivo ilustra bem o tamanho do desafio. Enquanto a União Europeia adotou tarifas antissubsídios de até 45% sobre veículos elétricos chineses em 2024, o Reino Unido seguiu um caminho diferente, permitindo que marcas da China conquistassem 16% do mercado britânico de carros novos. Executivos do setor, como o chefe da Nissan na Europa, Massimiliano Messina, alertaram recentemente que o país corre sérios riscos de atuar como um corredor para a entrada de veículos elétricos chineses no continente vizinho.

Outro ponto crítico de atrito envolve a indústria química, que tem sofrido com a concorrência de importações chinesas mais baratas e o avanço de investigações antidumping por parte de Bruxelas. Recentemente, autoridades de defesa da concorrência britânicas autorizaram a maior produtora chinesa de dióxido de titânio a comprar uma fábrica no nordeste da Inglaterra. Em resposta, a União Europeia anunciou o monitoramento das exportações britânicas desse insumo, evidenciando o aumento da tensão regulatória entre os dois lados.

Diante desse cenário, o secretário de Negócios do Reino Unido, Jonathan Reynolds, solicitou informações à indústria química nacional para avaliar a necessidade de novas medidas de defesa comercial. Contudo, adotar posturas mais duras contra Pequim coloca o governo britânico em uma situação delicada frente a um de seus principais parceiros comerciais e investidores estratégicos, especialmente após contatos diplomáticos indicarem que a China espera proteção total aos interesses de seus investidores.

Enquanto o Departamento de Negócios britânico afirma buscar uma cooperação profunda com a UE sem gerar danos colaterais à sua economia, especialistas avaliam que as grandes potências comerciais estão impondo condições rígidas para o acesso aos seus mercados. Para o Reino Unido, a margem de manobra para manter políticas comerciais divergentes de Bruxelas torna-se cada vez mais estreita à medida que a disputa econômica global se intensifica.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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