Um estudo conduzido pelo NetLab, laboratório vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta que a rede social Kwai não cumpre integralmente as exigências estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a publicidade político-eleitoral. Conforme o levantamento obtido com exclusividade, a plataforma também impõe dificuldades para a fiscalização dos anúncios pagos que circulam em seu ambiente digital.
Os pesquisadores esclarecem que o documento não comprova a circulação de anúncios irregulares na plataforma, mas ressalta a ausência de condições técnicas adequadas para verificar de maneira abrangente se essas irregularidades ocorrem. A mesma metodologia de análise deverá ser aplicada futuramente a outras plataformas de anúncios, a exemplo do TikTok e da Meta, conglomerado que administra o Instagram e o Facebook.
De acordo com o relatório sobre o Kwai, a biblioteca de anúncios disponibilizada pela rede social falha em informar com exatidão os gastos e o volume de pessoas atingidas, omite o perfil do público efetivamente alcançado e restringe as ferramentas de busca e coleta de dados. A diretora do NetLab, Marie Santini, declarou que o material será apresentado formalmente ao TSE.
A legislação da Justiça Eleitoral exige o detalhamento de informações e o fornecimento de ferramentas específicas como requisito obrigatório para o credenciamento de empresas que pretendam ofertar serviços de impulsionamento eleitoral pago. Em sua defesa, o Kwai informou que o seu Plano de Conformidade Eleitoral para 2026 foi revisado e aprovado pelo TSE, sustentando que suas ferramentas foram desenvolvidas em conformidade com as normas.
O TSE informou que o conteúdo do relatório está sob avaliação e que adotará as providências cabíveis nos termos das resoluções que regulamentam a propaganda eleitoral. Enquanto isso, especialistas reforçam que a falta de transparência em ferramentas de busca por palavras-chave e a ausência de uma API para extração sistemática de dados comprometem a auditoria independente das campanhas veiculadas na plataforma.
Fonte: g1.globo.com
