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Aliados apontam que Dino deve devolver relatório sobre Moraes ao plenário somente após o segundo turno

Ministro Flávio Dino avalia liberar julgamento sobre mensagens de Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes apenas após o pleito para evitar interferências políticas.

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Aliados apontam que Dino deve devolver relatório sobre Moraes ao plenário somente após o segundo turno

O ministro Flávio Dino, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), avalia liberar o julgamento sobre o relatório contendo mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro destinadas a Alexandre de Moraes somente após o encerramento do segundo turno das eleições. Interlocutores e colegas de corte relataram que o magistrado pondera ser inadequado retomar a discussão nas vésperas do pleito, sob o risco de a crise interna do tribunal influenciar o resultado da disputa eleitoral.

Dino dispõe de prazo até dezembro para restituir o caso ao plenário, computando o período regimental de 90 dias iniciado na sessão de 15 de setembro. O ministro apresentou pedido de vista para estender a análise da proposta apresentada por Gilmar Mendes, que visa unificar o exame do caso envolvendo Moraes e a acusação feita por este contra André Mendonça acerca de supostas irregularidades na condução de processos relacionados ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A discussão envolve ainda um cálculo político sensível que mobiliza ministros do STF, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação predominante é de que o foco sobre a crise da mais alta corte do país gera desgaste para o governo petista e acaba por beneficiar o candidato do PL, devido à associação que parte do eleitorado estabelece entre a atual gestão e o ministro Alexandre de Moraes.

Além de evitar impactos negativos à imagem do governo federal, aliados de Flávio Bolsonaro consideram que a divulgação de contatos, voos e do contrato de prestação de serviços firmado entre Vorcaro e a esposa de Moraes, Viviane Barci, mitiga os efeitos do escândalo do Banco Master sobre a campanha do presidenciável da oposição. Diante desse panorama, o grupo próximo a Dino defende que o debate definitivo ocorra em novembro.

Nos bastidores, parlamentares e aliados pretendem tentar convencer o presidente do STF, Edson Fachin, a pautar para os mesmos dias as sessões referentes a Moraes e Mendonça, como forma de equilibrar o impacto político. Contudo, Fachin tem demonstrado resistência a essa unificação e optado por pautas separadas, tendo inclusive cancelado uma das sessões após a manifestação do pedido de vista por parte de Dino.

A ala ligada a Moraes, que inclui magistrados como o próprio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, avalia que o prazo concedido para analisar um tema de alta complexidade foi exíguo. Para esses ministros, o volume e a amplitude do material investigativo exigem cautela e tempo adequado para a apreciação minuciosa de todos os elementos reunidos no processo antes de qualquer deliberação conclusiva no plenário.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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