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Preços da picanha mantêm alta no governo Lula 3, mas avanço é inferior ao registrado na gestão Bolsonaro

Levantamento com base no IPCA aponta que o corte nobre acumulou alta de 7,8% nos primeiros 44 meses da gestão petista, ritmo inferior ao registrado no mandato anterior.

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Preços da picanha mantêm alta no governo Lula 3, mas avanço é inferior ao registrado na gestão Bolsonaro

Os preços da picanha continuaram em trajetória de alta para os consumidores no acumulado do terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora o ritmo de aumento tenha se mantido inferior ao verificado durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro. A constatação tem como base os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), compilados pelo economista Fábio Romão, da consultoria 4intelligence.

O consumo do corte nobre bovino tornou-se um importante ponto de embate político desde as eleições de 2022. Durante a campanha daquele ano, em entrevista a um telejornal, Lula declarou que a população voltaria a ter condições de consumir um churrasco acompanhado de picanha e cerveja, frase que ecoou fortemente no debate público e na polarização do país.

De acordo com o levantamento estatístico, a picanha acumulou uma inflação de 7,8% entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, período que compreende os 44 meses iniciais da gestão petista atual. Para fins comparativos, a alta acumulada havia alcançado patamares bem mais elevados no mandato anterior, registrando 33,4% entre janeiro de 2020 (quando o item passou a integrar o IPCA) e agosto de 2022, e chegando a 38% até dezembro daquele mesmo ano.

Especialistas apontam que o comportamento dos preços reflete fatores econômicos estruturais e de oferta, e não decisões diretas de governos. Entre os elementos determinantes está o volume recorde de abate de bovinos no país, impulsionado por uma oferta maior que ajudou a conter pressões inflacionárias sobre os alimentos no período recente, diferentemente do cenário enfrentado na gestão passada, marcada por choques da pandemia e conflitos internacionais.

Apesar da desaceleração no ritmo de alta, analistas ressaltam que o patamar atual dos preços ainda gera forte mal-estar orçamentário nas famílias, uma vez que a variação incide sobre custos já elevados. O endividamento das famílias também tem funcionado como um limitador para repasses expressivos, fazendo com que parte dos consumidores busque alternativas mais econômicas no mercado de proteínas.

O cenário econômico e o custo dos alimentos continuam integrando o centro das discussões políticas e das campanhas eleitorais em andamento no país. Enquanto a oposição utiliza o patamar de preços para criticar a gestão federal, o governo destaca indicadores positivos de emprego, renda e reajustes salariais para contrapor as críticas sobre o custo de vida.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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