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A fronteira muda de mercadoria e o crime continua passando por Mato Grosso do Sul

Com apreensões que vão de cigarros a canetas emagrecedoras, Mato Grosso do Sul enfrenta o desafio constante do contrabando e cobra maior atuação federal na fronteira.

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A fronteira muda de mercadoria e o crime continua passando por Mato Grosso do Sul

O contrabando em Mato Grosso do Sul demonstra uma constante capacidade de adaptação às novas demandas do mercado consumidor. Se antes o foco principal recaía sobre os cigarros, hoje o crime organizado também explora o lucro gerado por produtos como canetas e ampolas emagrecedoras. Operações divulgadas neste ano já contabilizaram a apreensão de mais de 6 mil unidades irregulares desse tipo de medicamento no Estado.

Apesar da mudança no tipo de mercadoria, a dinâmica logística permanece a mesma. A facilidade com que essas redes criminosas encontram e utilizam rotas clandestinas para introduzir produtos ilegais no território brasileiro evidencia um problema estrutural antigo e persistente na faixa de fronteira.

As estatísticas recentes das forças de segurança ilustram a dimensão do desafio enfrentado pelas autoridades estaduais e federais. Em agosto, a Polícia Rodoviária Federal interceptou mais de meio milhão de maços de cigarros contrabandeados. Pouco tempo depois, a Polícia Federal conduziu investigações contra uma rede que transportava mercadorias da fronteira com o Paraguai para centros como São Paulo, Minas Gerais e Goiás, resultando no sequestro de R$ 75 milhões em bens.

Especialistas e editoriais apontam que o impacto dessas atividades ilegais transcende a sonegação de impostos. O comércio formal sofre com uma concorrência desleal, enquanto consumidores recebem medicamentos sem nenhuma garantia de procedência ou segurança sanitária. Além disso, os recursos obtidos fortalecem as organizações criminosas.

Diante desse cenário, cobra-se do governo federal uma postura que vá além de ações pontuais após grandes apreensões. Defende-se a necessidade de inteligência financeira, monitoramento contínuo das rotas e cooperação internacional efetiva entre a União, o Estado de Mato Grosso do Sul e o Paraguai, visando desarticular os financiadores e chefes dessas redes.

A legislação brasileira já prevê suporte adicional por meio da Lei Complementar 97, que autoriza a atuação das Forças Armadas no combate a delitos transfronteiriços. Resta saber como e com qual frequência essa estrutura é empregada de maneira coordenada, pois Mato Grosso do Sul exige uma presença estatal constante e não apenas reativa diante dos flagrantes nas estradas.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano