A escassez de combustível na Bolívia já provoca reflexos diretos no abastecimento na fronteira com Mato Grosso do Sul. Motoristas bolivianos passaram a cruzar a divisa internacional para abastecer em Corumbá, cidade localizada a 420 quilômetros de Campo Grande, onde postos de combustíveis registraram um aumento de até 50% no movimento de veículos vindos do país vizinho nos últimos dias.
O cenário representa uma inversão histórica do fluxo na região. Durante anos, era comum que motoristas brasileiros atravessassem a fronteira para abastecer em cidades bolivianas como Puerto Quijarro e Puerto Suárez, atraídos por preços mais baixos. Agora, diante da dificuldade generalizada para encontrar gasolina na Bolívia, condutores fazem o caminho oposto em busca de suprimento garantido no lado brasileiro.
Do lado boliviano da fronteira, moradores enfrentam dias consecutivos de dificuldades para encontrar gasolina. Em um posto na principal avenida que liga Arroyo Concepción a Puerto Quijarro, longas filas se formaram à espera de combustível, com motoristas deixando galões na sequência para tentar garantir o produto. Outra concentração de veículos ocorreu às margens da Rodovia Bioceânica, em Puerto Suárez, ocupando parte da pista devido à falta de acostamento.
Em Corumbá, frentistas confirmaram o impacto nos estabelecimentos locais. A procura por parte de motoristas da Bolívia cresceu consideravelmente. Embora o combustível comercializado no Brasil apresente preços mais elevados, a rapidez e a garantia de abastecimento tornaram vantajosa a travessia da fronteira, com vários condutores chegando aos postos munidos de galões.
A crise de abastecimento no país vizinho levou o governo boliviano a decretar a intervenção temporária e extraordinária na estatal YPFB por até 180 dias. A medida tem como objetivo auditar a cadeia logística de importação e distribuição de combustíveis. Além disso, o cenário foi agravado por mudanças na política de subsídios, incluindo a suspensão do subsídio ao diesel e o estabelecimento de novos preços regulamentados, o que motivou protestos e bloqueios de estradas por parte de produtores locais.
Enquanto a gasolina segue restrita, o diesel começou a receber novas alternativas de fornecimento em departamentos como Santa Cruz, por meio de importações capitaneadas por parcerias público-privadas. Nas cidades bolivianas vizinhas a Corumbá, a expectativa local é de que o abastecimento comece a se normalizar gradualmente.
Fonte: www.campograndenews.com.br
