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Período pré-eleitoral registra o maior índice de violência política da década no Brasil

Estudo divulgado por organizações de direitos humanos aponta que os episódios de violência política entre outubro de 2024 e agosto de 2026 representam o patamar mais alto da década, afetando sobretudo mulheres e políticos municipais.

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Período pré-eleitoral registra o maior índice de violência política da década no Brasil

Um levantamento divulgado pelas organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global revelou que o período pré-eleitoral brasileiro acumulou 354 casos de violência política entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026. O volume de ocorrências, que representa uma média de um caso a cada 44 horas, configurou o ciclo mais grave registrado ao longo da década, levantando sérios alertas sobre a integridade institucional e a sustentabilidade democrática do país.

De acordo com o estudo, as mulheres foram as principais vítimas de toda essa escalada de hostilidades, respondendo por 50,6% dos episódios mapeados. O cenário expõe um descompasso estrutural, visto que o público feminino ocupa apenas cerca de 18% das cadeiras legislativas nas instâncias de representação nacional, conforme os dados de referência do Tribunal Superior Eleitoral.

Enquanto os homens figuraram como os principais alvos de agressões físicas diretas, a violência simbólica, as ofensas e as ameaças pesaram de forma mais expressiva sobre as mulheres. O levantamento detalhou que centenas de intimidações com conotação sexual, comentários depreciativos sobre o corpo ou ameaças de cunho sexual foram direcionadas exclusivamente ao público feminino.

No recorte racial, as mulheres negras acumularam uma proporção alarmante de investidas: uma em cada três mulheres agredidas era preta. A pesquisa também apontou que ameaças assinadas por grupos neonazistas e supremacistas no período estudado atingiram especificamente prefeitas e vereadoras de diferentes regiões brasileiras, evidenciando o cruzamento entre misoginia e racismo.

As instâncias municipais concentraram 63% de todas as ocorrências, fazendo de prefeitos e vereadores os alvos mais frequentes da série histórica. Entre os episódios mais graves com intenção letal, a grande maioria também teve como alvo agentes públicos atuando na esfera local, o que inclui dezenas de atentados e assassinatos consumados ao longo dos meses avaliados.

Especialistas e representantes das organizações responsáveis pelo estudo reforçam a urgência de uma resposta rigorosa do Estado brasileiro. O relatório aponta índices expressivos de impunidade, demonstrando que uma parcela ínfima dos casos resulta em punição efetiva, enquanto parte significativa dos agressores identificados inclui detentores de cargos públicos e agentes de segurança do Estado.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano