Dados recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam um cenário alarmante para as mulheres no país, registrando uma média de quatro feminicídios diários no último ano, totalizando 1.571 casos. Desse total, 65% das vítimas eram negras e 62% foram mortas dentro de suas próprias residências, enquanto para cada feminicídio houve centenas de ameaças e agressões físicas documentadas.
Diante dessa realidade de vulnerabilidade estruturada pelo machismo, uma série de reportagens ouviu quinze mulheres de diferentes origens e posições políticas para compreender seus anseios e como a segurança figura centralmente em suas decisões eleitorais. O medo constante e a coragem necessária para enfrentar o cotidiano atravessam os relatos de todas as entrevistadas.
Histórias como a da pernambucana Janaína Almeida, de 43 anos, ilustram o impacto da violência doméstica. Sobrevivente de agressões severas no passado, ela hoje atua como representante de um aplicativo voltado a alertar mulheres sobre a proximidade de agressores protegidos por medidas protetivas, transformando a própria dor em ativismo e liderança comunitária.
Especialistas apontam que as expectativas femininas em relação ao Estado diferem das masculinas, priorizando garantias básicas como saúde, transporte e creches em detrimento de abordagens estritamente punitivistas. Essa percepção reflete-se na disputa eleitoral em curso, onde temas de segurança pública, combate ao crime e propostas de candidatos como Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva são pesados pelas eleitoras.
Outras personagens, como a assistente social Patrícia Maria da Cruz Silva Oliveira e a mestre de obras Cenir Aparecida da Silva, reforçam que o receio de circular pelas ruas e a necessidade de proteger os filhos moldam um estado de alerta permanente. Para muitas delas, a independência e a escolha por permanecer solteiras funcionam também como mecanismos de preservação e atos políticos.
No campo, a preocupação com a criminalidade organizada e o furto de gado também mobiliza produtoras rurais, a exemplo da gaúcha Antonia Scalzilli, que advoga por maior infraestrutura de segurança para áreas isoladas. Em meio a divisões ideológicas e dúvidas sobre quais projetos políticos podem efetivamente transformar o país, o desejo comum que ecoa entre as mulheres é simples e urgente: poder caminhar sem medo e construir um futuro seguro para suas famílias.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
