A gigante farmacêutica suíça Novartis anunciou nesta sexta-feira (2) a assinatura de um acordo estratégico com o laboratório chinês Abogen Biosciences. O objetivo da aliança é o desenvolvimento conjunto de medicamentos inovadores baseados em tecnologia de RNA, o que inclui a pesquisa de um possível novo tratamento voltado para o combate a doenças autoimunes.
O contrato estabelece um pagamento inicial de US$ 575 milhões, o equivalente a cerca de R$ 3 bilhões, repassados pela Novartis à Abogen. O valor total da transação, no entanto, pode alcançar a marca de US$ 7,75 bilhões — aproximadamente R$ 40,5 bilhões —, caso sejam cumpridas metas estipuladas de desenvolvimento científico e comercialização das novas terapias.
O montante total potencial engloba, além da quantia inicial, até US$ 7,2 bilhões adicionais condicionados ao atingimento de marcos específicos de desempenho e vendas. A aposta reforça o reposicionamento estratégico da companhia suíça em direção a tecnologias avançadas no setor de saúde.
Fiona Marshall, chefe de pesquisa biomédica da Novartis, destacou em comunicado oficial a importância da iniciativa. Segundo a executiva, alcançar uma reprogramação imunológica que seja eficaz e duradoura continua sendo um objetivo central para o tratamento de uma série de condições autoimunes complexas.
O centro das atenções da parceria é o composto AMO2203, desenvolvido pela Abogen. Trata-se de um tratamento fundamentado em RNA mensageiro que tem potencial para auxiliar no controle de patologias de difícil manejo clínico, a exemplo do lúpus e da esclerose múltipla, nas quais o sistema de defesa do organismo passa a agredir tecidos e células saudáveis por falha de reconhecimento.
A Abogen ainda não divulgou se o composto ABO2203 já se encontra em fase de testes clínicos em humanos. Por sua vez, Bo Ying, diretor da empresa chinesa, celebrou o acordo e afirmou que a parceria permitirá acelerar o desenvolvimento do produto e identificar novas frentes terapêuticas.
A nova investida ocorre em um momento em que a Novartis busca compensar recentes reveses em sua divisão de pesquisa. Em setembro, a farmacêutica informou que o del-desiran, indicado para distrofia miotônica tipo 1, e o pelacarsen, voltado para enfermidades cardíacas, não obtiveram os resultados esperados em ensaios clínicos de fase três.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
