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A pior eleição dos últimos tempos

Cenário eleitoral atual é marcado pelo silêncio, pela apatia do eleitor e pela desistência do debate político, substituindo a polarização histérica por um vazio perigoso.

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A pior eleição dos últimos tempos

A disputa eleitoral atual tem sido apontada por muitos como a pior dos últimos tempos. Diferentemente das campanhas passadas, que ficaram marcadas pelo barulho e por uma polarização histérica, o cenário político vigente carrega tal título por um motivo oposto e considerado muito mais perigoso: o silêncio. O embate ruidoso deu lugar a um vazio angustiante, no qual o cidadão comum percebe que está falando sozinho.

Especialistas apontam que há uma trégua silenciosa dentro dos lares brasileiros, nos grupos de aplicativos de mensagens e nos ambientes de trabalho. Isso não ocorre porque a sociedade finalmente chegou a um consenso ou amadureceu o seu espírito republicano, mas pura e simplesmente devido ao cansaço e à desistência. Compreendeu-se que a política, no atual patamar de degradação, não vale a ruptura de laços afetivos ou o desgaste emocional.

As pesquisas de intenção de voto mostram fatias consideráveis de eleitores propensas a votar em branco, nulo ou simplesmente abdicar do voto. Esse comportamento não reflete apenas dúvida, mas uma profunda preguiça cívica e o esgotamento de uma população que não aguenta mais se indignar ininterruptamente. Em democracias, o sintoma mais grave costuma ser a apatia, e não o fanatismo, configurando o atestado de óbito da expectativa de que a urna resolva os problemas.

Historicamente, pleitos anteriores já registravam taxas expressivas de abstenção no primeiro turno, com dezenas de milhões de ausentes. O desânimo generalizado e a desmotivação latente levantam o alerta sobre a possibilidade de o país caminhar para novos recordes de evasão cívica, com o eleitor optando por ficar em casa diante de formatos de propaganda política considerados obsoletos.

Paralelamente, o esvaziamento do debate público se reflete na fuga de candidatos de sabatinas e confrontos diretos promovidos por veículos de imprensa. Ao se esquivarem de perguntas difíceis e evitarem o contraditório, os postulantes aos cargos públicos passam a controlar a narrativa isolados em suas bolhas digitais, privando o eleitorado de filtros essenciais para avaliar propostas e promessas.

A combinação entre a paralisia dos eleitores que recusam o voto e a covardia dos candidatos que fogem do embate expõe um grave risco institucional. O perigo real reside na possibilidade de a democracia morrer de absoluto tédio, entregando as chaves do poder a minorias radicais e claques organizadas, tornando o esgotamento do eleitorado o golpe mais silencioso já desferido contra as instituições do país.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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