Um levantamento recente conduzido pelo Instituto Trata Brasil revelou que 49 dos 62 candidatos considerados mais competitivos ao cargo de governador em todo o país não possuem planos abrangentes voltados para o setor de saneamento em seus estados. O estudo focou nos postulantes com maior probabilidade de vitória ou de alcançarem o segundo turno, mantendo a imparcialidade ao não divulgar os nomes de forma individual por categoria.
Para a elaboração da análise, o instituto examinou quatro eixos fundamentais das campanhas eleitorais: universalização dos serviços, investimentos e superação de gargalos, governança e regulação, além de metas tangíveis. O modelo metodológico adaptou o cálculo de Laakso e Taagepera com base nas intenções de voto das pesquisas da Quaest divulgadas entre o final de agosto e o início de setembro, além de dados do Datafolha para o Piauí.
Em termos regionais, o Nordeste destacou-se por concentrar o maior número de planos abrangentes, registrando seis ocorrências entre as 20 candidaturas selecionadas, o que equivale a 30% do total. O Sudeste apareceu logo em seguida com dois casos entre nove nomes (22%), seguido pelo Norte (três entre 17, ou 18%), Sul (um entre seis, ou 17%) e Centro-Oeste (um entre dez, ou 10%).
No cenário estadual, Pernambuco sobressaiu-se como a única unidade da federação onde os programas dos dois principais concorrentes alcançaram a pontuação máxima na avaliação. Os planos de Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB), que lideram as intenções de voto segundo levantamentos recentes da Quaest e do Datafolha, contemplam diretrizes robustas para a área de infraestrutura hídrica e tratamento de esgoto.
Em São Paulo, o Trata Brasil avaliou os planos de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT). Nenhum dos dois foi classificado como superficial, com um deles obtendo status transversal e o outro sendo considerado totalmente abrangente. As propostas de ambos preveem metas estipuladas para cumprir o Marco Legal do Saneamento, que estabelece que até o final de 2033 o país deverá garantir 99% de cobertura de água tratada e 90% de coleta e tratamento de esgoto para a população.
O instituto ressalta que o planejamento adequado nos estados é imprescindível para destravar investimentos, atrair capital privado por meio de concessões e parcerias público-privadas, e assegurar que as metas estipuladas na legislação federal sejam cumpridas de forma eficiente e célere em todas as regiões brasileiras.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
