O cientista político e presidente da organização pró-Israel StandWithUs, André Lajst, retornou à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) na última terça-feira (29). O retorno ocorre exatamente um ano após ele ter sido impedido de realizar uma palestra na instituição devido a intensos protestos estudantis.
Desta vez, a participação de Lajst ocorreu em um formato diferente. Ele foi convidado como docente para ministrar uma aula a uma turma reduzida, composta por aproximadamente 25 alunos do programa de pós-graduação em Direito.
Em outubro de 2025, a tentativa de Lajst de discutir questões ligadas à guerra na Faixa de Gaza — conflito que registra dezenas de milhares de mortes palestinas desde outubro de 2023 — gerou forte mobilização. Manifestantes adentraram o auditório empunhando bandeiras da Palestina e do Líbano e proferiram palavras de ordem, taxando-o de genocida e declarando que sua presença era indesejada.
Diante do clima de hostilidade e do risco de agressões, a direção da faculdade optou por adiar o evento original. Contudo, a recente visita transcorreu de maneira pacífica e sem interrupções por parte de manifestantes.
A aula foi integrada à disciplina “Gênero e Etnia: Intersecções necessárias aos direitos humanos fundamentais para a interlocução sobre as finalidades do Estado”, conduzida pela professora Eunice Aparecida de Jesus Prudente. O tema central abordado pelo convidado foi “Gênero, Etnia e Religião no Oriente Médio: diversidade, identidade, poder e transformação social”.
Durante a exposição, Lajst argumentou perante os pós-graduandos que a percepção de uma “sociedade única” na região do Oriente Médio constitui uma simplificação inadequada da realidade local. O acadêmico destacou as complexas distinções existentes entre etnias, religiões e nacionalidades, pontuando como tais identidades podem se cruzar e sobrepor de maneiras diversas.
Fonte: redir.folha.com.br
