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Sem diagnóstico, pacientes com doenças raras passam anos em busca de respostas

Milhões de brasileiros enfrentam maratonas de consultas, exames inconclusivos e anos de espera para conseguir descobrir a origem de doenças raras.

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Sem diagnóstico, pacientes com doenças raras passam anos em busca de respostas

Milhares de brasileiros que conviven com condições de baixa prevalência enfrentam uma longa jornada de incertezas até conseguir um diagnóstico definitivo. É o caso de Matheus Ribeiro, de 30 anos, morador do Recife, que há oito anos tenta descobrir a origem de dores, torções musculares e dificuldades severas para engolir que alteraram profundamente sua rotina diária.

O quadro de Matheus iniciou com dores articulares e fraqueza progressiva, evoluindo para engasgos com alimentos sólidos, pastosos e líquidos, além de rouquidão e perda expressiva de força. Apesar de passar por quatro hospitais de referência, internações prolongadas e exames diversos, ele ainda aguarda uma conclusão médica, enquanto especialistas investigam hipóteses de naturezas neurológicas ou genéticas.

Essa trajetória de peregrinação médica é comum a grande parte dos 13 milhões de pessoas estimadas que vivem com doenças raras no país. A falta de conhecimento inicial e o encaminhamento inadequado muitas vezes resultam em atrasos severos, sendo agravados pelo fato de que sintomas complexos acabam, em alguns casos, sendo incorretamente atribuídos a fatores puramente psicológicos.

A confeiteira Paulete Marques de Lima Junqueira, de 50 anos, vivenciou situação semelhante após manifestar dores intensas na face e espasmos corporais severos. Antes de receber hipóteses mais assertivas ligadas a distúrbios neurológicos, ela relatou ter enfrentado questionamentos sobre a veracidade de seus sintomas e encaminhamentos repetidos à psiquiatria, o que prolongou o sofrimento e a distância de um tratamento adequado.

Especialistas apontam que a rede de atendimento especializada está concentrada de maneira desigual nas regiões Sul e Sudeste, deixando vazios assistenciais significativos em outras áreas do país. Além disso, a escassez de profissionais geneticistas e as barreiras no acesso a exames moleculares avançados no âmbito do Sistema Único de Saúde dificultam a célere identificação de distúrbios que, em sua grande maioria, possuem origem genética.

Diante desse cenário, pesquisadores e médicos reforçam a importância de capacitar a atenção básica, integrar ferramentas digitais de apoio diagnóstico e ampliar o uso de tecnologias como o sequenciamento genético amplo. Tais medidas são consideradas fundamentais para otimizar recursos, abreviar o tempo de angústia das famílias e assegurar o encaminhamento ágil aos serviços de referência.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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