O programa Roda Viva desta segunda-feira (5) recebeu o cientista político e professor do Insper, Carlos Melo, para uma análise aprofundada sobre os resultados das eleições ocorridas no último domingo.
Durante a sabatina, o especialista detalhou as razões que o levaram a classificar o pleito como a expressão de um expressivo “grande desastre político-institucional”, termo utilizado por ele em artigo recente publicado no jornal O Globo. Segundo sua avaliação, a disputa eleitoral distanciou-se do debate sobre projetos concretos para o país.
Para Melo, embora a sociedade brasileira manifeste um claro desejo por transformações, a direção e o destino dessa mudança não foram debatidos de maneira transparente pelos candidatos. Ele apontou que a campanha passou ao largo das discussões essenciais para o futuro da nação.
O cientista político também comentou os impactos do escândalo envolvendo o Banco Master e o financista Daniel Vorcaro, afirmando que o episódio acabou por prejudicar as instituições e colocar em risco o papel moderador do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ainda no campo institucional, Melo criticou o avanço do fisiologismo no Congresso Nacional, impulsionado pela dinâmica das emendas parlamentares, e ponderou que o perfil da atuação legislativa federal se aproximou excessivamente da prática paroquial, afirmando que o país dispõe atualmente de “vereadores federais” na Câmara dos Deputados.
Por fim, o professor realizou uma autocrítica direcionada à cobertura da imprensa, avaliando que os meios de comunicação conferiram espaço desmedido aos escândalos em detrimento de uma cobrança mais rigorosa para que os postulantes apresentassem propostas de futuro para o Brasil.
Fonte: cultura.uol.com.br
