Quando for empossada em fevereiro de 2027, Maria Marighella (PT-BA), de 50 anos, levará para a Câmara dos Deputados uma trajetória de seis anos na vida pública e um forte legado familiar. Neta do escritor, político e guerrilheiro baiano Carlos Marighella, ela foi eleita com 108.418 votos no último domingo, consolidando-se como a deputada federal do PT mais votada de Salvador após uma campanha ancorada no voto de opinião.
Defendendo uma renovação tanto geracional quanto programática dentro do Partido dos Trabalhadores, a atriz, produtora cultural e ex-vereadora de Salvador busca conectar sua atuação parlamentar à história de seu avô. Para ela, o mandato representa um encontro com a memória coletiva voltado para inspirar as próximas lutas no Congresso Nacional.
A chegada de Maria à Câmara ocorre cerca de oitenta anos após Carlos Marighella integrar a Assembleia Nacional Constituinte de 1945, de onde acabou sendo cassado em 1948 com o cancelamento do registro do Partido Comunista Brasileiro (PCB). A anulação simbólica daquelas cassações só veio a ocorrer na esfera legislativa em 2013.
A nova deputada federal aponta paralelos entre as bandeiras defendidas pela bancada constituinte de 1946 — como soberania nacional, direitos das mulheres, reforma agrária e fortalecimento da indústria — e os desafios contemporâneos. Ela avalia que o cenário atual exige firmeza semelhante no enfrentamento a pautas da extrema-direita e do imperialismo.
Durante o período de campanha eleitoral, o sobrenome Marighella chegou a ser alvo de ataques por adversários políticos, resultando em decisões judiciais favoráveis no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia contra tentativas de difamação. Superadas as barreiras da disputa, a parlamentar eleita define como prioridades centrais de seu futuro mandato as áreas de cultura, meio ambiente, educação, ciência, moradia e direitos das mulheres.
Tendo presidido a Fundação Nacional de Artes (Funarte) durante a gestão do presidente Lula, Maria Marighella pretende priorizar a cultura como eixo fundamental de desenvolvimento socioeconômico. Suas propostas incluem debates sobre emprego, regulação de serviços de streaming, inteligência artificial e plataformas digitais, além de defender a união entre a mobilização nas ruas e a atuação estratégica nas redes sociais para o campo progressista.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
