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Sandro Filho (PP), surpresa na Bahia, une origem periférica e discurso de direita

Aos 21 anos, o vereador Sandro Filho (PP) surpreendeu ao conquistar 167.394 votos na Bahia, tornando-se o deputado federal mais votado da federação União Progressista.

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Sandro Filho (PP), surpresa na Bahia, une origem periférica e discurso de direita

A eleição de Sandro Filho (PP) na Bahia surpreendeu até mesmo o próprio candidato. Disputando o pleito em um dos principais redutos da esquerda brasileira, o vereador em Salvador alcançou a marca expressiva de 167.394 votos. Com esse desempenho, ele superou deputados com mandato e caciques tradicionais, consagrando-se como o candidato mais votado da federação União Progressista no estado.

Aos 21 anos, Sandro chega à Câmara dos Deputados embalado por um discurso de direita que não se alinha de forma automática ao bolsonarismo. Sua trajetória também é marcada por forte presença em vídeos nas redes sociais e pela vivência de um jovem negro que cresceu no bairro de Coutos, localizado no Subúrbio Ferroviário de Salvador.

Em sua avaliação sobre o resultado nas urnas, o parlamentar eleito destaca a conexão com os moradores das periferias. Segundo ele, sua vitória representa o despertar de uma juventude que lida diariamente com diversas mazelas sociais na Bahia, vindo de comunidades onde muitos enfrentam extrema escassez e perda precoce de amigos devido à violência.

A questão da segurança pública e o combate à criminalidade figuram como eixos centrais de suas pautas, tendo testemunhado de perto o avanço de facções criminosas em sua região de origem. Ele também é evangélico, mas opta por não utilizar a religião como alavanca eleitoral, mantendo o foco em discursos menos voltados para pautas estritamente morais.

Sua aproximação com a política institucional ocorreu ainda na adolescência por meio do MBL (Movimento Brasil Livre), atualmente chamado de partido Missão. Nessa época, vinculado ao grupo, ele conquistou uma cadeira de vereador em Salvador aos 19 anos, obtendo 12,5 mil votos pelo PP.

O plano inicial de Sandro era concorrer a deputado federal pela legenda do Missão, mas ele acabou expulso após desentendimentos internos. O grupo o acusou de indicar a esposa para uma empresa prestadora de serviços da Prefeitura de Salvador, alegação que ele negou na época, afirmando ter se afastado por iniciativa própria.

O estilo de comunicação do novo deputado tem forte base digital, destacando-se por postagens com críticas direcionadas ao presidente Lula (PT) e ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). Uma de suas marcas registradas envolve a fiscalização de obras públicas através de vídeos que frequentemente geram polêmica.

Entre as ações de campanha, no mês de setembro, ele apareceu vestindo uma roupa de mergulho nas águas da baía de Todos-os-Santos com o propósito de fiscalizar a instalação das vigas da ponte Salvador-Itaparica. Nesses registros visuais, o uso constante de um colete à prova de balas também lhe rendeu críticas de opositores, a exemplo de declarações indiretas do senador eleito Rui Costa (PT).

No tabuleiro político nacional, Sandro declara apoio à futura eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa contra o presidente Lula, embora reforce que sua atuação obedece a convicções ideológicas e não a subordinação a grupos. Ele define sua postura de forma direta ao afirmar que não se considera bolsonarista, mas sim de direita.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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