A indústria automotiva brasileira passa por uma transformação profunda e irreversível, impulsionada pela chegada de veículos eletrificados chineses de alta tecnologia e preços competitivos. A avaliação é de Rogelio Golfarb, ex-vice-presidente da Ford na América do Sul e fundador da consultoria Zag Work, em entrevista ao programa C-Level Entrevista.
Segundo o executivo, que também presidiu a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), as montadoras tradicionais precisam se adaptar rapidamente por meio de alianças estratégicas. Embora empresas históricas não devam desaparecer, a velocidade de transformação tornou-se o principal elemento de sobrevivência no setor.
O impacto dessa mudança tecnológica é sentido de forma acelerada no cotidiano de profissionais urbanos, como motoristas de aplicativo em São Paulo. O apelo dos modelos elétricos reside na economia operacional expressiva, com custos de recarga significativamente inferiores aos combustíveis fósseis tradicionais, como gasolina e etanol.
Apesar de temores de que o Brasil se transforme em uma mera linha de montagem para marcas estrangeiras, Golfarb argumenta que o foco central da concorrência global reside na intensidade tecnológica. Questões como componentes eletrônicos avançados, telas de cristal líquido e semicondutores evidenciam que a disputa de mercado vai muito além da simples fabricação mecânica ou siderúrgica.
A forte competitividade da indústria chinesa é atribuída principalmente à escala de produção e à verticalização dos processos, além de custos de projeto mais enxutos. Em 2025, enquanto o mercado brasileiro comercializou 2,6 milhões de veículos, a China registrou a fabricação de 34,5 milhões de unidades, consolidando uma vantagem global expressiva.
Diante do novo cenário, a Anfavea revisou suas projeções para o mercado nacional de veículos em 2026, estimando um crescimento de 15,2% na comercialização e de 6,7% na produção. Para Golfarb, o país possui amplo espaço para expansão de vendas, embora continue enfrentando barreiras estruturais como a alta carga tributária e as taxas de juros.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
